Dexter – um começo impressionante, um desenvolvimento confuso, um final honesto

dex

Assisti o último episódio de Dexter. Estava com uma mistura de sentimentos que ia de certa tristeza pelo fim da série, passava por um alívio por ser a temporada final, até uma ansiedade sobre qual seria esse fim.

Para quem não conhece, Dexter é uma série dramática da ShowTime, que conta a história de um serial killer (o Dexter, tã-dã!). Mas não é qualquer história de psicopata. Dexter Morgan, interpretado por Michael C. Hall, é um assassino que mata assassinos. Desde criança ele foi treinado para direcionar sua psicopatia nesse sentido, não só a fim de que não fosse pego, mas de que isso “justificasse” seus assassinatos. A série ficou no ar por oito anos (!) e teve seu fim no último domingo.

Comecei a acompanhar há três anos e desde então considerei uma das séries mais originais, bem feitas e empolgantes que já vi. E, sim, eu vejo muitas. Os personagens muito bem construídos, as temporadas com histórias de tirar o fôlego, sem falar em todo o processo de mudança pelo qual o personagem Dexter passou ao longo dos anos: seus conflitos, seu desespero (acho dá pra entender assim) em ser uma pessoa “normal”, em conseguir relacionar o que se tornou com o que gostaria de ser… Qualquer crítica que eu possa fazer à série – e dá para fazer várias – não se estende ao personagem principal que, para mim, foi coerente do começo ao fim.

Mas, sim, a certa altura parece que os produtores e roteiristas da série beberam alguma coisa esquisita e em momentos de total falta de noção perderam o fio da meada. Especialmente a partir da sexta temporada. Não estou dizendo que a série ficou péssima. Mas digamos que não conseguiu manter o padrão de antes e, claro, muito menos elevá-lo. Virou mais do mesmo, com uma dose de mimimi e falta de conexão entre assuntos e personagens. Assistível, principalmente para quem vinha acompanhando a série desde o começo e queria saber onde tudo ia dar, mas estava óbvio que precisava acabar, ou entraria em decadência.

Por fim, anunciaram que a oitava seria a última temporada. Ufa! E veio aquela ansiedade para saber o que seria de Dexter: seria pego? Morreria? Fugiria? Deixaria de ser um psicopata? Mil finais passaram pela minha cabeça no decorrer da série, nenhum foi o que aconteceu. Ainda bem, porque meus finais eram bem pessimistas no sentido de que ia acabar muito ruim uma série que foi ótima. Mas acabou como tinha que acabar e estou satisfeita com o fim.

E é sobre isso que vou comentar agora. Então para quem não assistiu o episódio final, pare por aqui e volte depois. Para quem não assistiu a série e quer assistir, pare por aqui e volte um dia. Recomendo bastante que assistam, porque entre os altos e baixos da série, a meu ver, os altos prevalecem e valem muito a pena!

ATENÇÃO! SPOILER!

Se você ainda não assistiu tudo, vai procurar outra coisa pra ler.

O final de Dexter foi um pouco surpreendente para mim. Estava um pouco desanimada com o desenvolvimento da série nas últimas temporadas, então esperava algo horrível, como ele ser preso por causa da Hanna (depois de tudo!), por exemplo. Também não gostaria que ele morresse. Não porque eu amo o personagem (e eu amo), mas porque isso iria significar uma espécie de redenção para as atitudes dele, considerando até onde ele tinha chegado em sua crise “ter uma vida normal x ser um serial killer”. E aí seria aquele velho clichê do malzinho que fica bonzinho e tudo acaba feliz para sempre. Tenho certeza que muitos fãs da série desejavam isso, mas, em minha opinião, seria incoerente com toda a originalidade proposta no início. Seria até mesmo injusto com o personagem.

Eu não conseguiria encontrar final melhor para o Dexter a não ser o que ele teve. Perder tudo o que amava: seu filho, Hanna, Debra, sua vida como forense, e ainda prejudicar essas pessoas de diferentes formas (sem falar em todas as perdas no decorrer das oito temporadas) é a consequência de sua tentativa de tentar conciliar duas vidas impossíveis de serem conciliadas. A verdade é que ele nunca conseguiu fazer uma escolha definitiva, nem mesmo quando estava disposto a fugir com Hanna (já que não conseguiu partir enquanto não matou Saxon). Ou no fundo, a escolha já estivesse feita. Ele simplesmente não poderia fugir de quem era e a solução que encontrou para não prejudicar as pessoas à sua volta foi abandoná-las.

Acho que o final pode ser interpretado de pelo menos duas maneiras. A primeira é essa que já disse: impossibilitado de ter uma vida normal, de fugir do seu “dark passenger”, e por esse motivo, após tantas perdas, Dexter abriu mão e foi viver longe de quem ele sabe que poderia ser prejudicado por sua causa. A segunda é: na verdade, Dexter conseguiu mudar, mas após a morte de Debra essa foi sua maneira de se punir.

Eu fico com a primeira interpretação. Acho que a morte da Debra fez ele se dar conta de que as coisas nunca seriam normais. A fala dele para o Saxon, antes de mata-lo, dá essa impressão. Ele diz que não poderia culpar Saxon, porque na verdade a culpa era sua. E o que aconteceu à Debra o fez lembrar o que ele é, um rastro de sangue e corpos decapitados. Muito forte esse comentário! Logo após isso, ele vai até o hospital onde está Debra, usando as roupas que usava quando ia para o seu ritual de morte, desliga os aparelhos e leva o corpo da irmã para jogar no mar, como fazia com suas vítimas. O que deixa evidente que, para Dexter, Debra também foi uma vítima sua. Depois, parte com seu barco em direção à tempestade e quando todos acham que ele morreu, aparece a cena dele vivendo em outro lugar, com uma aparência e um trabalho diferente, sozinho e pensativo. Não me parece que abandonar o filho tão querido (que dó eu fiquei do Harisson!) e a mulher que ele dizia que amava seja apenas uma maneira de se punir, como muitos têm dito nos comentários que vejo pela Internet. De certo modo, isso também seria uma forma de redenção para o Dexter, de absolvição. Por isso penso que a primeira maneira de entender o fim da série seja mais interessante e condizente com toda a história. E por isso considero que foi um bom final.

Mas, apesar do final ter sido bom (olhando a série como um todo, como uma história completa), o último episódio deixou bastante a desejar, como vários nas últimas temporadas. Vou citar só alguns pontos:

* Como Dexter consegue entrar em um hospital, desligar os aparelhos da irmã, tirar o corpo dela de lá em um barco sem que ninguém, NINGUÉM tenha notado? Não me digam que a bagunça por causa da tempestade tem algo a ver com isso. Simplesmente não é possível.

* Depois disso não se fala na Debra. Será que o Quinn não notou sua falta? Não quis saber como o corpo escapou do hospital? Onde poderia encontra-lo para enterrá-la ou fazer uma homenagem na polícia? Entendo que esse final para Debra tinha que acontecer para dar sentido ao que falei antes sobre o Dex, mas poderia ser feito com menos furos.

* O que aconteceu com Masuka?

* Como Saxon, serial killer tão inteligente que era, foi parar no hospital atrás da Debra e pego de maneira tão idiota?

* A relação do Harisson com Hanna não foi um pouco forçada? Ele mal tinha tido contato com ela na temporada anterior.

São detalhes que “deixo passar” porque acho que não prejudicou a história. Mas, definitivamente, fez com que fosse um episódio confuso e cheio de falhas. Os produtores e roteiristas poderiam ter caprichado um pouco a mais, se tratando do final de uma série tão aclamada e cheia de fãs.

Ficarei com saudades de Dexter, mas foi um final necessário.

Sem dúvidas, apesar de tudo, entrou na lista de melhores séries que assisti até hoje.

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2 comentários sobre “Dexter – um começo impressionante, um desenvolvimento confuso, um final honesto

  1. Faltou uma coisa que mostraram na série mas não deram mais continuidade, cortaram. A corrupção do Quinn. O cara era corrupto, recebia dinheiro sujo, matou um cara de forma ilegal, mas a historia com ele acabou ai, ele não foi descoberto, nem punido, nada.

  2. Pingback: Hannibal – 1ª Temporada | Sarices

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