Nada de bom em ficar doente

doente

Fico doente com uma frequência considerável. O que é mais do que eu gostaria. Aliás, quem gosta de ficar doente? Apesar de que conheço gente que faria de tudo para ficar doente e ter um atestado médico em mãos. Não que se precise de atestados reais para faltar ao trabalho. Meu problema em ficar doente não é ficar doente, propriamente dito. Quero dizer, se eu sei o que tenho e acho que um analgésico ou um antiinflamatório pode resolver. Sentir dores é ruim, sentir enjoo também, não conseguir comer ou dormir direito, tudo é péssimo. Mas quando você toma um remédio que resolve a situação, tudo bem… Meu problema em ficar doente é não ter o controle da situação. Ou seja, não saber o que há de errado, me medicar e nada mudar, ficar pensando em mil possibilidades enquanto só piora.

Isso é tão horrível, entre outros motivos, porque você precisa ir a um hospital e nenhuma experiência em hospital pode ser boa. Não foi para mim até agora. Sempre me sinto como se os médicos e enfermeiros debochassem da minha cara porque estou mentindo ou exagerando os sintomas que sinto. E me dá vontade de dizer para eles: “Acredite, eu não gosto de estar aqui tanto quanto você não gosta que eu esteja. Se eu pudesse, estaria na minha casa esperando tudo isso passar, mas preciso de um remédio que infelizmente só você pode autorizar.” Ontem foi um desses dias.

Cheguei de viagem no sábado à noite, já me sentindo mal. Atribui isso à mudança de tempo de onde eu estava para São Paulo. Enquanto em Santiago a umidade do ar estava baixíssima, aqui chovia há uma semana sem parar. Lá já me sentia mal por esse motivo. Quando cheguei, morrendo de dor de cabeça, pensei que dormindo tudo se resolveria. Só que não. Ontem, domingo, acordei pior. Uma dor de cabeça insuportável, que não dá pra explicar a não ser que você já tenha experimentado ser atropelado por um caminhão cinco vezes seguidas e, além disso, jogassem a luz mais forte em seus olhos e ficassem por 60 dias seguidos tocando “Ai se eu te pego” em um trombone, nos seus ouvidos. Era mais ou menos isso. Não conseguia levantar da cama, até que me deu vontade de vomitar. Então levantei e não parava nunca mais de colocar para fora nada, que era o equivalente ao que eu tinha em meu estômago.

Resolvi atender aos apelos da minha mãe e irmã de ir para o pronto socorro. Não gosto de médicos, não vou ao hospital a não ser que eu esteja morrendo. Já que era o que eu sentia naquele momento, resolvi ir. Meu pai foi dirigindo, minha mãe me acompanhou. Fomos ao pronto socorro de Santo Amaro, que estava aberto, com alguns enfermeiros na porta tomando sol e conversando com seguranças, mas que não foram capazes de fazer nada enquanto eu controlava meu vômito pela milésima vez. Até que um dos seguranças perguntou para minha mãe “se ele poderia ajudar, o que ela gostaria de fazer ali”. OI? Eu estou aqui, em um PRONTO SOCORRO, com minha filha visivelmente mal e você me pergunta o que estou fazendo aqui? A não ser que você tenha uma credencial de médico, a única ajuda que você pode me dar é me deixar passar. Mas o segurança disse que o pronto socorro estava FECHADO. Enquanto eu já dava as costas, disposta a desmaiar no carro, minha mãe dizia para quem quisesse ouvir que “tem que vir médicos de fora do Brasil mesmo, porque aqui ninguém quer nada com nada”. Amo mais minha mãe quando ela defende seus posicionamentos políticos.

Voltamos um pouco para o pronto socorro do Hospital Campo Limpo. Eu sabia que seria demorado, lá sempre é demorado. Mas eu não estava nada bem, então minha paciência era zero. Não havia nada para sair do meu estômago, que continuava empurrando o nada e a dor de cabeça… Se todos no mundo  calassem a boca de uma vez e apagassem a luz enquanto me dessem um remédio, seria o paraíso.

A versão resumida da história é que apesar de faltar dois números para chegar à minha senha, a fila não andava. Todos ao meu redor falavam para minha mãe procurar o enfermeiro – e ela foi, mas ele pediu para ela esperar -, eu já estava desesperada, querendo deixar tudo para lá e ir embora, até que vomitei mais uma vez, dessa vez com sangue misturado. Foi a gota d’água para minha mãe fazer um pequeno escândalo enquanto me empurrava para dentro do consultório. Depois de brigas, empurrões e choros (meu, no caso), fui atendida. O médico me disse, em três minutos, que eu tinha uma enxaqueca, que era normal vomitar nesses casos e o sangue se devia ao fato de eu vomitar seguidas vezes e ter machucado o esôfago. Sei lá se era isso mesmo. Talvez se eu fosse médica conseguiria dizer tudo isso para uma pessoa em três minutos, mas eu não sou, então, né? Vou acreditar nele. Mesmo porque, se eu fosse médica e chegasse em minhas mãos uma ficha de um paciente que não para de vomitar do lado de fora do consultório, passaria ele na frente, ou pelo menos mandaria direto para tomar uma injeção que parasse o enjoo. Mas não.

Enfim, depois da consulta, fui para a medicação. Lá, uma enfermeira com cara de chata brincava de achar a veia no meu braço, enquanto me dizia que minhas veias eram tortas. Mais uma vez: Oi? Colega, eu estou aqui meio que morrendo, preciso tomar o remédio e além de claramente você não ser capaz de encontrar uma veia, vai colocar a culpa em mim? Eu apenas respondi: não estou me sentindo bem, estou com falta de ar. Não estava mesmo, a sala não tinha janelas, eu sou claustrofóbica e o nervoso da veia só aumentava. Ela me ofereceu um sorriso debochado como quem diz: “Sério? Todos aqui estão passando mal.” Eu respondi um “Vá se ferrar” mentalmente e vomitei de novo. Uma pena que não foi nos sapatos dela. Acho que se deu conta de que eu estava passando mal de verdade e me deixou vomitando, enquanto preparava oxigênio para mim. E essa foi toda minha experiência ruim no hospital. Mais uma entre outras passadas.

Mas questão é que o remédio  foi eficiente. A dor de cabeça melhorou, os enjoos cessaram. Hoje acordei com um mal estar muito grande, mas nada que se compare ao que foi ontem. A cabeça também não dói mais.  E espero que continue assim até melhorar de vez.

Não há nada de bom em ficar doente, então eu só desejo saúde para vocês e para mim. Porque o resto é fichinha.

Tudo o que veio de legal antes disso, ou seja, a viagem, vou compartilhar aos poucos.

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