As coisas que me incomodam nessas eleições

cansei

Vou deixar meu ponto de vista como cientista social um pouco de lado nessa postagem. Minha vontade é comentar sobre as coisas que me incomodam pessoalmente, em todo esse processo eleitoral. Vou deixar a questão política também um pouco de lado nesse momento. O que me incomodou bastante, estando longe do Brasil e, por isso, acompanhando tudo pela internet, está muito mais relacionado ao comportamento das pessoas. Alguns pontos:

 

Amizade e política?

Nessas eleições tenho lido alguns comentários, memes, indiretas (haha) nas redes sociais sobre “não deixar que a política atrapalhe uma amizade”. Acho bonito isso. Mas fiquei pensando… Como assim? Quer dizer, eu discordo de você, você discorda de mim, mas não podemos discutir nossas opiniões, porque corremos o risco de atrapalhar nossa amizade? Supimpa uma amizade em que não podemos nem discordar um do outro.

Em minha opinião, uma das consequências negativas das relações que se estabelecem só por meio de redes sociais é que começamos a crer que todos os nossos amigos no Facebook são nossos amigos de verdade. Não são. Alguns são só contatos, outros são colegas. Quando eu deixo de expressar uma opinião por medo de perder uma “amizade” no Facebook, pode ser sinal de que a coisa está meio grave.

O grande problema do “vamos parar de falar de política para não perder a amizade” é que a gente para de falar de política. Parece que a política é uma coisa que está fora da nossa vida, que a gente pode se afastar quando acha que deve. Mas a gente vive a política todos os dias, em todos momentos. Outro problema é que as pessoas geralmente levam os argumentos para o lado pessoal, não conseguem discutir ideias. Se sentem ofendidas e ofendem só porque o outro pensa diferente, tem uma ideia diferente de como as coisas deveriam funcionar. Não é pessoal, gente, não é pessoal.

Falta de argumento

Mas talvez isso de “manter a amizade” seja justamente porque a coisa é levada para o lado pessoal e as ideias, propostas, não são debatidas de fato. Não existe espaço para isso. Tudo se resume em um compartilhamento de memes e títulos sensacionalistas de notícias, um curtir e logo uma discussão do tipo “meu candidato é melhor que o seu”.

Sinto falta de um embasamento para certas afirmações que leio por aí. Não estou, no sentido mais arrogante de ser, dizendo para as pessoas “irem estudar, porque quem vota em tal candidato é burro”, como vejo tantos fazendo. Estou dizendo que quando Fulano afirma alguma coisa, é preciso dizer por que afirma aquilo, em que ele se baseia para afirmar aquilo. Assim, não só os outros entendem melhor o que Fulano quis dizer, como também se cria um espaço para que Beltrano possa responder com outros argumentos.

Por exemplo, falar que “Quem recebe o Bolsa Família é vagabundo” tem como base o que? (A propósito, quero muito escrever uma postagem só sobre esse assunto, que me incomoda profundamente. Mas fica para um momento que eu tiver um pouquinho mais de tempo.)

Preconceito

Contra pobres, contra nordestinos, contra negros, contra mulheres, contra homossexuais. E não é só nesses casos que são noticiados, não. Me espanta ver a quantidade de comentários preconceituosos que as pessoas soltam com ou sem desculpa de que é “só brincadeirinha” e que “a patrulha do politicamente correto vai contra a liberdade de expressão”. Liberdade de expressão confundida com incitar ódio, violência e preconceito. Me dá nojo.

Por essas três, entre outras razões, eu tenho evitado o contato com muita gente. Não é para não perder a amizade, é para manter minha sanidade. É para não ser contaminada pelo “ódio pelo ódio”, de quem não consegue debater ideias, para quem é “sim, porque sim” e “não, porque não”. Tudo isso me cansa, me faz ficar desanimada com as pessoas de forma geral. Mas existe tanta gente legal que eu não posso permitir que algumas delas me desanimem. Não podemos.

Em outro momento volto para, aí sim, falar de política. Abraços.

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2 comentários sobre “As coisas que me incomodam nessas eleições

  1. Pois é assim mesmo, o pior de tudo é a crítica “destrutiva” daqueles que pensam que tudo sabem, acham que só a opinião deles e daqueles que comungam a mesma maneira de atacar e ferir as pessoas que querem expor os seus pensamentos politicamento. Penso assim:: se não sabem discutir políticas não se atrevam a fazê-la. Vemos pessoas curtindo exemplos de opiniões mundanas querendo fazer descer pelas nossas gargantas, curtem comentários de baixo calão e acham que os irmãos de igrejas devem curtir também, São e falam na igreja uma coisa e na rede social se revelam quem são na verdade, respeito e bom e todos gostam, quando quiserem que curtimos algumas coisas do gênero pense bem antes de postá-las. Vou parar por aqui, porque uma coisa leva a outra coisa. Gostei demais desta matéria, bem faz você de apesar de tudo estar distante, más como brasileira temos infelizmente de ver ou ouvir tantas coisas, para não falar outra coisa” dos pseudos sábios e entendidos “marinheiros” que querem dizer sem falar nada”.
    Parabéns, saudades. Vc já teve ter ouvido estas palavras : “Avançar sempre, recuar jamais” As nossas opiniões e convicções, estando elas enquadradas na nossa maneira de ser e viver é o que importa.

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