Pode mudar, mudar é bom

R7-Mudar

2014 foi um ano de muitas mudanças na minha vida. Tanto que parece que vivi dois anos em um. Não vou listar todas aqui, para não ser chata, mas a maior certamente foi me mudar de país. Uma mudança assim já é grande coisa. Mas foi maior ainda porque não havia sido planejada, eu simplesmente disse: vou me mudar e mudei.

Nesse momento de decisão, muitas pessoas me acharam louca, eu sei. Algumas demonstraram isso claramente, outras disfarçaram com perguntas do tipo: mas por quê? Você não acha precipitado? O que você vai fazer lá? Você não tem medo? E OK, eu acho que são dúvidas e preocupações naturais de pessoas como a maioria de nós, que estamos acostumados a não nos arriscarmos muito, a buscar certa estabilidade na vida, a ter um cronograma a seguir: estudar, casar, ter filho, ter casa, ter carro, ter dinheiro, ter, ter, ter… O caso é que eu cansei de querer ter as coisas. Na verdade, não sei se um dia já fui uma pessoa assim, acho que não. Para mim, sempre fez mais sentido experimentar, ser, viver, que perseguir um objetivo sem entender bem porque estou fazendo isso.

Outras pessoas me falaram o quanto eu sou corajosa por tomar uma decisão assim. “Largar tudo” (ainda não sei bem o que é esse tudo) para tentar uma coisa que eu não tinha certeza se iria dar certo. Por algum tempo eu também achei que pessoas que fazem isso são pessoas corajosas, mas quando eu mesma fiz, me dei conta que não tem tanto a ver com coragem. Eu tive medo, muito medo. Tive e tenho um milhão de receios e ansiedades. Não pensei duas vezes antes de finalmente me mudar, pensei 12097586705845 de vezes. Mas me senti mais ou menos como me sinto quando vou nesses brinquedos radicais nos parques de diversão. Eu sempre tenho medo de cair de uma torre de 60 metros, tenho medo de ficar de cabeça pra baixo numa montanha russa… Mas sempre vou. Porque apesar do medo, sei que a sensação vai ser também muito boa. Sei que meu coração vai estar saindo pela boca, mas que vai ser uma das experiências mais legais que eu já passei. Mudar é ir nesses brinquedos radicais.

Me dei conta do quanto mudei na minha vida. Na infância, mudamos de casa e bairro diversas vezes. De cidade, 4 vezes. Mudei minha opção pro vestibular no último ano do ensino médio. Toda uma vida dizendo que ia fazer Direito e por fim me encontrei nas Ciências Sociais. Mudei de foco na faculdade, que entrei pensando em me aprofundar na Sociologia e fui para a Antropologia. Mudei radicalmente de linha de pesquisa quando entrei no mestrado, ouvindo comentários do tipo: você vai ter que começar do zero nisso. Sim, tive que começar do zero e provavelmente será assim pro doutorado também. Mudei quando decidi depois de alguns meses lecionando que definitivamente não queria fazer aquilo e saí do meu emprego. Mudei de vontades, de gostos, de opiniões. E continuo sendo a mesma, porém mais madura e mais confiante de que eu posso ser e fazer o que eu quiser.

E, sabe, não tem nada a ver com dinheiro. Em certo momento de frustração na minha vida, eu estava vendo os vídeos do Continue Curioso (recomendo muito), que conta  histórias de pessoas que decidiram mudar o rumo de suas vidas, assim, “largar tudo” e fazer algo diferente, que deixasse elas felizes. Meu pensamento era: bem, é fácil mudar quando você tem dinheiro. Ou seja, quando você pode, por exemplo, abandonar um trabalho e aguentar uns meses, quando você pode sair da sua cidade e ir para um lugar novo… Mas depois percebi que não tem a ver com dinheiro. A gente pode mudar, sempre. Na verdade, a gente muda o tempo todo sem nem se dar conta. Mudar não é fácil mesmo que você tenha uma melhor condição financeira. Mudar nunca é fácil. Não é esse mar de rosas que talvez esse texto esteja dando a impressão. Mudar dói, é incômodo, é desconfortável, te impõe a necessidade de lidar com o desconhecido, de aprender coisas novas, te tira da zona de conforto. Sem falar nas críticas, nos comentários, nos olhares. Mudar é difícil. Mas é bom.

É bom quando você finalmente consegue se dar conta de que o clichê “a vida é muito curta” é verdade. É muito curta e muito frágil. Não acho que isso deve ser uma justificativa para sair por aí com atitudes inconsequentes, magoando pessoas, ferindo a si mesmo. Mas acho que deve ser uma motivação para nos livrarmos de coisas que não gostamos, para nos darmos a chance de sermos felizes em lugares diferentes, com pessoas que amamos. Deve ser uma motivação para não passarmos pela vida pensando “e se…”.

Nesse texto que parece autoajuda, mas que é muito verdadeiro, eu desejo um 2015 cheio de mudanças para todos!

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Um comentário sobre “Pode mudar, mudar é bom

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