Sobre respeito

Tenho evitado fazer comentários sobre assuntos polêmicos nas redes sociais. Porque nessas redes eu falo pra basicamente dois grupos de pessoas: o primeiro compartilha da minha visão de mundo e vai concordar com quase tudo o que eu diga, logo, não tem discussão. O segundo vai discordar se eu falar que meu nome é Sarah, muitas vezes só pra criar um conflito mesmo, não há abertura pra diálogo, logo, também não tem discussão. Além disso, não considero as redes sociais o melhor lugar pra isso, mas aí é só uma opinião minha. Mas o fato de eu não me expressar muito mais por esses meios, não significa que eu não tenha uma interpretação das coisas e que eu não veja o que as outras pessoas dizem (pra minha infelicidade, em alguns casos).

Mas tem um tema que estou há alguns dias tentando não comentar e não consigo me controlar, então resolvi fazer isso aqui. Todo mundo viu o protesto da artista transexual, Viviany Beleboni, durante a Parada do Orgulho  LGBT, em São Paulo. Muitas pessoas na minha TL se mostraram horrorizadas com isso. Mas os comentários em suas postagens eram muito mais assustadores, chamando a moça de aberração, que ela ia queimar no inferno, que não sei o que. Por outro lado, muitos participantes e apoiadores do movimento LGBT chamavam todos os cristãos de fanáticos, ignorantes, alienados. E eu devo dizer, me senti mal por todos esses comentários, vindos dos dois lados. Primeiro, porque sou uma defensora do Estado laico. Acredito que independentemente das crenças de cada um, os direitos devem ser garantidos a todos e não privilegiar determinados grupos por causa de uma questão religiosa. Então não estou de acordo com essas pessoas que se dizem cristãs, com a chamada “bancada evangélica” que quer impor seu modo de pensar de maneira muito radical a todos os demais. Mas, em segundo lugar, eu sou uma cristã. Apesar de não frequentar uma igreja há alguns anos, me considero cristã e acredito que a Bíblia tem ensinamentos valiosos para nós e não me identifico e nem me sinto representada por pessoas como Silas Malafaia. A sensação que eu tive diante disso tudo foi de que havia (há) desrespeito de todas as partes. Então pensei em algumas coisas básicas que eu gostaria de dizer para cada um desses grupos.

Para o grupo de cristãos:

1 – Ninguém é obrigado a pensar como vocês. Ninguém é obrigado a seguir a mesma religião que vocês, a acreditar nas mesmas coisas. Essas pessoas, que não participam da religião cristã, são inferiores? São menos dignas de alguma coisa por causa disso? Claro que não. Da maneira que eu entendo, também não é obrigação dos cristãos abrir a boca das pessoas e enfiar pela garganta abaixo suas crenças e valores. Não vivemos mais na época da lei e, sim, da graça, lembram? A Bíblia ainda diz que não seria por força nem por violência, lembram? O mundo é formado de pessoas que pensam diferente, que acreditam em coisas diferentes, que fazem parte de culturas diferentes. Todas essas pessoas merecem menos que os cristãos?

2 – É preciso voltar ao ensinamento básico e essencial: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo COMO A SI MESMO. Fico pensando: alguns leem isso na Bíblia e não significa absolutamente nada? Qual é o propósito então?

3 – Duvidem dos que se auto denominam líderes. Façam questionamentos. Não aceitem tudo o que essas pessoas dizem como se fosse o próprio Deus dizendo. Pessoas que incentivam a violência, a intolerância, pessoas que acham tudo bem ganharem muita grana vendendo o próprio Cristo, pessoas que acham tudo bem apoiar os mais ricos e onerar os mais pobres… Essas pessoas não querem nada com o cristianismo. Não querem nada que não tenha a ver com o ego e o dinheiro delas. Não caiam nisso.

Para os participantes e apoiadores do movimento LGBT:

1 – Silas Malafia, Bolsonaro, Eduardo Cunha, Feliciano não representam os cristãos. Eles fazem parte de um segmento dentro do cristianismo (ou, na minha opinião, do que eles chamam de cristianismo) e infelizmente ganharam força por conseguirem enganar a muitos e, claro, por conseguirem obter muito dinheiro de maneira bastante questionável. É preciso criticá-los, é preciso expor tudo o que eles fazem de errado e brigar contra eles, sim. Mas a briga é contra eles, contra pessoas como eles e não contra todos os cristãos. Os protestantes (evangélicos), católicos têm outras referências muito mais coerentes e sensatas.

2 – Não é porque uma pessoa segue uma religião que ela é alienada e ignorante. As pessoas escolhem o que querem acreditar. Um budista, um espírita, um muçulmano, um umbandista, um judeu… essas pessoas são alienadas? Por que um cristão deveria ser? Acreditar em algo transcendente, acreditar em Deus, seguir uma religião não faz de ninguém um idiota. Assim como não seguir uma religião não faz de ninguém mais inteligente. Não é nada disso que define.

Enfim, o que eu pretendia dizer é que precisamos ser cuidadosos para não cair em simplificações vazias que não ajudam em nada. Ao contrário, só aumentam a falta de entendimento, de conhecimento, a intolerância e a violência. E acho que ninguém que leva a sério seus valores, suas crenças, suas lutas deseja isso. Todas as pessoas cristãs sérias que conheço e todos os militantes  sérios (de diversos movimentos) que conheço, ao contrário, respeitam quem pensa diferente e querem alcançar o diálogo e o bem comum.

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