7 aprendizados sobre morar fora do Brasil

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Depois de 1 ano morando na Colômbia, parei pra fazer um balanço de como tem sido minha primeira experiência em ficar tanto tempo longe do meu país, vivendo em outro lugar. Acho importante a gente parar de vez em quando pra avaliar um pouco o que estamos fazendo, como estamos fazendo. Tenho aprendido muita coisa que, na verdade, não tem nada a ver com a experiência mesmo de mudar de país, mas que talvez só tenha sido possível por causa disso. Porém vou deixar esse papo mais pessoal de lado e compartilhar apenas o que possa interessar, em geral, pra outras pessoas que consideram a possibilidade de morar fora e talvez tenham um pouco de receio sobre isso. Eu, pelo menos, gosto muito de conhecer a experiência de outros que estão passando por algo parecido com o que estou vivendo ou quero viver, me ajuda a refletir melhor sobre tudo.

Que morar em outro país não é só diversão e aventura, acho que todo mundo já sabe. Tem coisas ruins também. Então vou compartilhar alguns pontos negativos e positivos que tenho observado nessa experiência.  Começarei com um positivo, pra animar.

1 – A satisfação em conhecer coisas novas é ENORME!

A gente se dá conta de quão pouco sabemos sobre tudo. Muitas vezes passamos tempo demais em nosso mundinho (“inho” não no sentido de insignificante, mas de limitado mesmo), satisfeitos com o que aprendemos e conhecemos até ali. Acho que em certa medida, isso pode até servir pra algumas pessoas, ou pelo menos, até certos momentos. Mas a verdade é que conhecer coisas novas, aprender sobre semelhanças e diferenças, rever certos paradigmas, ampliar horizontes, tudo isso provavelmente é a maior riqueza que podemos adquirir. E, sim, claro que podemos conhecer coisas novas e aprender muito sem ir tão longe de casa. Mas também podemos aprender muito mais estando em contato direto com aquilo que sai do nosso cotidiano, das nossas comodidades. Porém, na minha opinião, não basta conhecer. É preciso fazer algo com esse conhecimento. Se o conhecimento não muda uma pessoa e não faz ela querer mudar alguma coisa pra si e/ou pros outros ao redor, pra que serve?

2 – Porém, lidar com uma cultura diferente pode ser complicado!

Acho que esse segundo ponto não é totalmente negativo ou positivo, talvez dependa da situação. O caso é que quando você vai pra um lugar que tem um modo diferente de vida, de costumes, de valores, pode ser muito fácil cair no erro de comparar com os costumes e valores do seu país. Sendo que, geralmente, o olhar sobre sua própria cultura será positivo e sobre a outra, negativo. É praticamente ser etnocêntrico, ou seja, usar sua própria cultura como padrão pra falar das outras, colocando as outras numa posição inferior. Vamos fazer isso muitas vezes e OK, isso não é motivo pra se sentir mal, porque, de fato, se adaptar a uma nova cultura, se encaixar num novo modo de vida, procurar entender certos costumes e valores sem ser um pouco preconceituso é difícil. Porém, o importante é se dar conta disso e tentar desconstruir esse olhar. Quem decide se mudar de país tem que decidir também estar aberto às diferenças.

3 – É certeza que você vai se aperfeiçoar muito no idioma

Esse é um ponto super positivo! Sempre achei que a melhor maneira de aprender um idioma é indo pra um lugar onde ele é falado e se virar. A necessidade é amiga dos maiores aprendizados, não há dúvidas. Mesmo que você já saiba falar o idioma, estar imerso ali, diariamente, ajuda no processo de aperfeiçoamento, porque você não aprende apenas o aspecto linguístico/gramatical, mas, digamos, também o cultural. Ou seja, as gírias, os múltiplos sentidos de palavras e expressões, etc. É o melhor curso, que nenhuma escola ou professor particular poderia dar. Além disso, você começa a se sentir mais confiante pra falar. Geralmente somos um pouco tímidos quando precisamos usar nosso conhecimento em outro idioma (eu era bastante!), mas essa imersão também nos dá um pouco mais de confiança ao perceber que conseguimos nos comunicar com as pessoas.

4 – A solidão vai ser grande em vários momentos

Não importa se você tenha feito novos amigos, se tenha um namorado (a), esposo (a). Em diversos momentos vai se sentir como se estivesse absolutamente sozinho no mundo. A saudade da família e dos amigos vai ser muito forte. A saudade do seu país, da sua cidade, seu lugar, vai ser gigantesca! Tudo isso faz você se questionar às vezes se realmente foi uma boa ideia se mudar, se vale a pena, se você deve voltar… Não dá pra mentir, essa é uma das piores partes, a solidão é um sentimento muito ruim e nesse caso, nem sempre as pessoas que estão do seu lado podem ajudar, por mais que elas queiram. Mas o bom é que esse sentimento passa, sempre passa.

5 – Mas aí você vai estreitar laços com quem está perto e com quem está longe

Esse ponto é meio que uma consequência do anterior. Por se sentir sozinho, você procura resolver essa situação falando quase diariamente com os amigos e a família que estão longe (graças pelo Skype!). E isso, de fato, faz um bem danado. Você vai perceber que nem todas as amizades vão continuar iguais e que isso é normal, mas que seus melhores amigos continuarão sendo seus melhores amigos e até muito mais além disso. Também você passa a se envolver mais com quem está perto (os novos amigos, namorado (a)), estreitando os laços mesmo, confiando, compartilhando sua vida. Isso faz com que esses relacionamentos se solidifiquem e, por isso, sejam muito mais duradouros!

6 – Só que nem todo mundo é tão legal assim!

Nem todo mundo que aparecer no seu caminho vai ser legal, simpático, te tratar bem. E, acredite, você ser brasileiro (com fama de gente boa), não vai mudar em nada isso. Em qualquer lugar tem gente super amável e receptiva, mas também tem gente inconveniente, desagradável e até preconceituosa. O melhor a fazer nesses casos, na minha opinião, é não levar pro lado pessoal, porque isso só vai te fazer sentir mal, e valorizar aqueles que são amigos, dispostos a ajudar e te conhecer melhor.

7 – Sério, se você não amadurecer agora, não amadurece nunca mais

Estar sozinho e ter que se virar, principalmente se for em um lugar diferente, te faz amadurecer. O fato de não ter muito com quem contar nos pequenos problemas do dia a dia te força a fazer tudo por conta própria. E se você está trabalhando e se sustentando, começa a dar muito mais valor às coisas que adquire, às contas que paga, começa a ser mais organizado com o dinheiro, casa, tempo, etc. Por isso que se uma situação dessa não ajuda alguém a crescer, eu  não sei o que mais poderia ajudar.

Bem, esses 7 pontos foram os que considerei como principais, mas podem existir tantos outros! E dentro de cada um deles, tantas variações! A verdade é que uma experiência como essa sempre vai ser muito particular, mas uma coisa talvez seja comum pra todo mundo: o que se vive, o que se aprende, os lugares novos que se conhece, as pessoas que cruzam seu caminho mudam completamente sua vida, porque aumentam suas perspectivas sobre praticamente tudo e, por isso, te dão a possibilidade de mudar.

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