Ano novo: mais passatempos, menos remorsos

Finalmente estamos em 2016! Apesar de que eu não tenho essa sensação de que 2015 foi um ano interminável, como tenho visto muita gente comentando por aí. Aconteceram muitas coisas sinistras, sim, para o coletivo. Mas para mim, pessoalmente, foi um ano que passou até rápido demais. Considero que foi um ano bom, com bastante aprendizado.

Não sou de fazer promessas no ano novo. Primeiro, porque tenho problemas em fazer planos a longo prazo. O máximo que consigo é pensar a médio prazo. Para além disso, começa a me dar um desespero e eu fico mal até me dar conta de que não precisa ser assim, que estou sendo boba porque, em segundo lugar, não sei nem o que vai acontecer no dia de amanhã, quem dirá em um ano, dois, três… Então geralmente não faço nada e as coisas acontecem como devem acontecer e, de fato, isso sempre sai melhor do que quando eu planejo alguma coisa. Mas esse ano decidi colocar algumas metas para mim mesma. Vejam bem, não são promessas. Eu não posso prometer nada porque não controlo o futuro, mas quis me colocar alguns objetivos, sem pressão excessiva. Claro que não me pressionar não significa que não vou realmente me esforçar. Não se trata de coisas muito grandes, são apenas coisas que acho que vão melhorar minha qualidade de vida e/ou me fazerem mais felizinha. Por exemplo, voltar a ler mais, mudar alguns hábitos no cotidiano, não entrar em discussões desnecessárias, enfim, no decorrer do ano eu posso compartilhar algumas ideias sobre isso. Mas entrei nesse ano pensando especificamente em uma coisa, que acho que não apenas eu preciso ter como meta, mas todo mundo, por isso comento aqui.

Quem me fez pensar nisso foi uma amiga muito querida e acho que ela nem sabe que seu comentário inocente me traria tantas reflexões, mas como sei que ela vai ler isso, obrigada! A história é a seguinte: sempre que eu falo das séries que estou assistindo, filmes, ou qualquer outra bobagem que não seja relacionada a trabalho ou estudo, digo que estou procrastinando. Esse blog nasceu por causa disso! O comentário da minha amiga foi exatamente sobre esse assunto, ela disse: “não é engraçado que hoje a gente dê o nome de procrastinação pro que gosta de fazer? Antes era só passatempo”. Eu pensei: e não é que é verdade isso? Realmente, faço muitas dessas coisas em momentos de procrastinação, às vezes atraso o que não devo porque fiquei fazendo outras menos urgentes e isso é ruim. Mas não são todos os momentos que vejo séries, leio livros, decido não fazer nada, pinto minhas unhas, que são procrastinações. Não sei se me faço entender, quero tentar sem mais clara: o que passou a acontecer é que todos os momentos em que eu não estava envolvida em algo “sério” ou “urgente” como trabalhar, estudar, escrever um projeto passaram a causar em mim um certo desconforto, como se eu estivesse fazendo algo errado, como se meus momentos de distração e lazer não fossem também importantes. E que coisa mais triste é isso!

Vivemos em um mundo em que não podemos “nos dar ao luxo” de ficarmos um dia inteiro olhando para o teto, se quisermos, porque isso é perda de tempo, por exemplo. Julgamos umas às outras por causa disso. Chamamos os outros de preguiçosos, de desinteressados, de descompromissados. Não existe mais passatempo, hobbie, tempo livre, o que você queira chamar. Tudo o que não é relacionado ao trabalho, aos estudos, às coisas urgentes, às tarefas agendadas, aos compromissos inadiáveis, tudo isso é procrastinação, perda de tempo, perda de vida. E nem que seja lá no fundo, nos causa um remorso quando fazemos.

Bem, uma das minhas pequenas grandes metas desse ano é tentar não ter mais remorsos em relação a isso. Minha qualidade de vida depende muito mais dos meus passatempos que da correria cotidiana de trabalho. Quero continuar com o que faço no meu tempo livre e quero fazer mais, talvez algo novo, que eu nunca tenha experimentado. Quero me livrar dessa ideia de urgência, dessa preocupação com alguma coisa que nem sei o que é direito, desse medo de fazer o que me deixa feliz. Convido vocês a pensarem nisso e talvez fazerem o mesmo.

Feliz ano novo!

 

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Um comentário sobre “Ano novo: mais passatempos, menos remorsos

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