Narcos: o que eu gostei e não gostei na série

21939810

 

ALERTA: contém um pequeno spoiler. Na minha opinião, não altera em nada pra quem ainda vai começar a assistir a série, mas se você detesta todo e qualquer tipo de spoiler, não leia esse texto.

 

 

Sei que não interessa a ninguém o que eu gosto ou não gosto, mas tenho certa necessidade de falar sobre as coisas que assisto e leio por aí. Vou direto ao assunto com essa série, para a postagem não ficar muito longa. Falei AQUI que estava assistindo Narcos e comecei a ver com certo preconceito,  pelos motivos que falei lá e não vou repetir aqui, porque né? Vai lá ler, é rapidinho.

Esse texto não é uma crítica, deixo isso para os entendidos e especialistas. É apenas para falar o que eu, como telespectadora e viciada em séries, achei dessa produção. Não dá para negar, Narcos é uma série muito bem feita, a Netflix sempre mandando muito bem. Mas tem algumas coisas que me incomodaram um pouco, então vou começar falando sobre o que eu não gostei.

 

1 – O fato de ser mais uma produção sobre o narcotráfico na Colômbia continua me incomodando. No Brasil as pessoas não têm muito interesse ou acesso às produções latinoamericanas (acho que é mais falta de interesse mesmo), mas acontece que existem centenas de filmes, novelas e séries abordando esse tema. Assim, já deu. Já está cansativo. É sempre o mesmo assunto, como se não houvesse nada mais interessante ou importante para falar sobre a Colômbia. É como se tudo o que fosse produzido sobre o Brasil só falasse de violência, não acho legal. Mentenho minha opinião de que falar sobre o que aconteceu de ruim na história de um país é muito importante, para manter a memória viva e não permitir que repita, ou mesmo como fonte para pesquisadores e interessados (sim, ficção também é fonte de pesquisa). Mas sendo uma história tão recente, que ainda é responsável pelo estereótipo e preconceito que muitas pessoas têm da Colômbia, na minha humilde opinião, poderiam parar um pouco de privilegiar esse tema e falar também sobre outras coisas acerca do país.

2 – A série assume uma interpretação da história e passa isso de forma meio perigosa, eu diria. OK, é uma série, é uma ficção e no início de cada episódio está bem claro isso, que qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Mas ao mesmo tempo acho curioso os trechos de imagens e fotos, arquivos reais, que colocam nos episódios. Isso soa como se o produtor da série quisesse dar algum grau de veracidade àquilo que está mostrando e, de fato, um espectador comum (que não pesquisa sobre o que aconteceu após ver aquilo ali) acaba assumindo certas coisas como se fossem verdades. Um exemplo: quando relacionam Pablo Escobar ao grupo guerrilheiro M19 na ocupação do Palácio da Justiça. Na série não deixam espaço para dúvidas de que isso aconteceu, enquanto que na realidade essa ligação nunca foi comprovada.

Aliás, a ocupação do Palácio da Justiça completou 30 anos em 2015, houve vários eventos e entrevistas importantes sobre o tema, porque foi algo muito triste e sério que aconteceu aqui na Colômbia. Há pessoas desaparecidas até hoje e todos tentam entender o que realmente aconteceu naquele dia. A série tratou esse assunto como mera estratégia de Escobar, o que como eu falei, me parece uma interpretação meio perigosa, no sentido de que apesar de ser uma série fictícia, tenta passar certa veracidade para o que está falando. Dei esse exemplo, mas existem vários outros na série.  Esse é um ponto muito negativo, na minha opinião.

3 – “Oh, e agora, quem poderá nos defender?”, “Eu, a poderosa DEA!”. Por mais que  série tente (e eu realmente acho que ela tenta), não consegue fugir de colocar os Estados Unidos no papel mais importante, o de lutar contra o narcotráfico nos “países subdesenvolvidos”, como se a maior responsabilidade da existência do narcotráfico não fosse deles mesmo, investindo nisso para apliar sua influência e dominação. Nem tenho muito o que falar sobre esse tema, é só isso mesmo. EUA heróis, como sempre.

 

Mas para não falar que não gostei da série inteira, vou destacar o que eu gostei:

1 – Personagens cheios de complexidade. Gostei muito da construção dos personagens na série. Apesar do que eu acabei de falar sobre o  suposto heroísmo dos EUA, o próprio agente do DEA, Steve, tem lá suas crises entre ser bonzinho e ser mauzinho. Isso mostra a tentativa que também falei de buscar fazer algo diferente. Já teve gente que discordou de mim, mas não percebi que tentaram fazer heróis nessa série (falando de personagens individuais), nem com Escobar, nem com Steve. Até mesmo os personagens secundários receberam muita atenção nessa construção aí, o que achei supimpa!

2 – Série muito bem feita! Sobre isso não há o que falar. Sem furos na história, sem enrolação desnecessária, ótima fotografia, ótimos atores (mesmo metade não sendo colombiana e fazendo personagens colombianos), tudo muito bem produzido mesmo. Vamos ver se continua assim, pelo menos.

 

Que me desculpem os fãs de Narcos, mas para mim, os pontos negativos pesam muito mais que os positivos nesse caso. E por isso eu posso dizer que gostei mais ou menos da série (mais pra menos), mas que, sim, pretendo ver a segunda temporada. Quem sabe a coisa muda um pouco, apesar de eu achar difícil isso acontecer.

E vocês, o que acharam da série?

Anúncios

4 comentários sobre “Narcos: o que eu gostei e não gostei na série

  1. Pingback: Minhas séries do momento #4 |

  2. Pingback: Minhas séries do momento #3 |

  3. Sarah, a utilização dos trechos de vídeos reais da época durante os capítulos, segundo o Padilha, é para deixar mais verossímil a série; de acordo com ele as vezes a história do Escobar se torna não absurda que fica difícil de acreditar que tenha acontecido coisas tais como as representadas ou análogas (como a realização de julgamentos com juízes mascarados), então ele colocou algumas “footages” para nos convencer que não é nada de outro mundo que ele está contando ali, embora algumas partes sejam ficção, poderiam ter acontecido.

    • Oi, Lucas!
      Não sabia disso, obrigada por me contar! Mas acho que mesmo com a melhor das intenções, o Padilha peca nisso. Na minha opinião, essa veracidade que ele tenta dar acaba servindo a outros fins também, como eu falei aí no texto, a fazer com que o espectador menos atento tome a interpretação dele como verdade.

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s