Não gosto mais de rock?

No fim de semana passado aconteceu o Lollapalooza, para quem não sabe, um festival de música (grande parte rock). Eu já fui em duas edições do Lolla, para ver especialmente duas bandas que gosto muito, Foo Fighters e Pearl Jam. Foram shows inesquecíveis, além dos outros que vi por lá. Nessa última edição, para ser honesta, eu nem sabia direito quem ia tocar e depois que descobri, vi que não conhecia a maioria (denunciando a idade?). Mas para ser bem honesta novamente, eu não me interessei muito em saber quem estaria esse ano e me dei conta meio assombrada que não foi apenas pela falta de grana.

Outro dia, fui visitar um casal de amigos que há muito tempo não via e ele me perguntou: Sarah, você ainda gosta de rock? Não demorei nem um segundo para responder: gosto, mas agora não só de rock.

Quem me conheceu na adolescência com certeza guarda uma lembrança de um ser que praticamente só escutava rock, não tinha roupas muito coloridas e era como muitos adolescentes que vemos por aí com esse estilo. Fora algumas coisas da MPB que sempre gostei, eu realmente não dava atenção para outros tipos de música. Então quem me vê hoje em dia, curtindo salsa, por exemplo, diz que não me reconhece e que eu passei por uma mudança radical.

Sim, eu acho que passsei por uma mudança radical, mas não instantânea, isso levou alguns anos. Na verdade, eu cresci. E não quero dizer que quem continua escutando só rock até depois de adulto é imaturo, não me entendam mal. Mas o meu processo de crescimento em vários aspectos da minha vida, não apenas no meu gosto musical, passou e passa por me abrir para conhecer coisas novas, sem pré-conceitos, com a mente aberta. E foi assim que eu comecei a ouvir muito mais MPB, por exemplo, desde a Bossa Nova, passando pelo Tropicalismo e as músicas posteriores. Descobri coisas muito legais no samba e no forró e comecei a levar em alta conta toda a riqueza social e cultural por trás desses ritmos, além do rap (que na verdade eu já gostava um pouco) e até outros estilos musicais.

Além disso, sempre gostei de música em espanhol, mesmo sendo só o rock de antes. Comecei a ouvir um pouco de pop, músicas de protesto, depois salsa e merengue e ritmos que são ótimos para dançar, mas que também têm um valor cultural muito grande e uma qualidade musical altíssima. E não, isso não tem nada a ver com meu namorado colombiano, comecei a gostar antes mesmo de conhecê-lo. Claro que depois ele me apresentou muitas coisas que eu não conhecia.

Enfim, se você me perguntar o que eu conheço do cenário atual do rock, terei que dizer: praticamente nada!  E se me perguntar o que eu tenho escutado atualmente vou citar vários artistas da velha e nova MPB (é uma das coisas que eu mais escuto quando estou na Colômbia, culpo a saudade). Também tenho escutado salsa, músicas de artistas colombianos  e pouco de rock. Sendo que quando escuto rock, são as bandas mais velhas. Sim, continuo gostando, mas digamos que eu expandi meu conhecimento e meus gostos. Existe música boa em todos os lugares e acho de uma arrogância sem tamanho quem afirma que música boa é só rock. Aproveitando para fugir só úm pouquinho do assunto e indicar um bom artigo, há pouco tempo li esse texto sobre o rock nacional (mas serve para geral, eu acho) não ter espaço para negros e tenho pensado um pouco, acho que concordo com ele. Mas isso fica para outra discussão.

No blog Nossa América Latina, que é meu outro blog junto com o Cristian, pretendemos fazer algumas listas de música de estilos específicos que escutamos e gostamos, para compartilhar com quem não conhece e tem interesse, ou com quem  já curte. Eu aviso aqui quando começarmos, mas você também pode ficar de olho lá. Porém, não resisti e separei alguns vídeos para exemplificar o que eu mais tenho escutado ultimamente e para te apresentar, caso você não conheça. Espero que goste!

Vou começar com MPB, porque, né? Tenho escutado muitos artistas da antiga, mas também gosto muito da chamada “nova MPB”, embora eu não entenda muito bem essas categorias que as pessoas criam. Gosto muitíssimo das músicas em português, sempre gostei do nosso idioma. Mas desde que me aprofundei no espanhol e comecei a dar aulas de português na Colômbia minha relação tanto com essas línguas como com aprender idiomas em geral, mudou. Comecei a admirar a riqueza do nosso idioma em várias coisas e as músicas são ótimas para isso. Já falei antes aqui no blog sobre Bruna Caram, que é uma das minhas artistas atuais prediletas, então resolvi compartilhar um vídeo de outra cantora dessa vez, a Céu.

Ainda falando de música brasileira, resolvi compartilhar um vídeo de forró. Existe muito preconceito contra o forró, eu já tive lá na minha adolescência, tenho que dizer. Mas felizmente me livrei desses pensamentos bobos. Gosto muito dessa música, do Ó do Forró.

 

Conheci alguns cantores e cantoras na Colômbia, um dos que gostei muito se chama Andres Cepeda. Eu não sei em que categoria musical ele se encaixa, não me perguntem isso. Aliás, como já falei, não entendo essas categorias que as pessoas criam. Vou compartilhar a última música dele que estava tocando muito nas rádios, antes de eu vir para São Paulo.

Um dos grupos que, definitivamente, eu mais curto no momento é o ChocQuibTown. Eles são colombianos, mas por incrível que pareça os conheci em São Paulo, num show que fizeram na Virada Cultural de 2014. Alguns de vocês que passarem por aqui talvez já conheçam eles, porque têm feito muito sucesso, ganharam Grammy e tudo mais. Essa música que escolhi para compartilhar não é tão recente, mas… a mí me gusta mucho!

 

Saindo um pouco da Colômbia, outro grupo que gosto muito e também é um pouco mais conhecido no Brasil se chama Calle 13. É muito interessante ver a mudança das letras deles para uma coisa um pouco mais política e como isso fez eles serem completamente esquecidos pelas emissoras de rádio e TV, que quando tocam, só tocam os velhos reggaetons. Mas quem gosta, gosta. E eu, particularmente, os admiro muito mais agora. Compartilho uma que me arrepia cada vez que a escuto, Latinoamérica.

 

Anita Tijoux é outra que conheci por acaso, assisti um show dela sem ter a mínima ideia de quem era, em uma viagem para o Chile, em 2012. Depois disso, gostei muito e comecei a acompanhar. Ela canta rap e é um orgulho para todas as mulheres, ocupando um espaço que ainda é predominantemente masculino e machista, como é o rap. As letras dela são bastante políticas também e sobre esse assunto recomendo essa entrevista, que é muito boa.

 

Falando de salsa agora. Gosto muito de um cantor que se chama Marc Anthony. Muitos fãs de salsa não gosttam dele, porque ele é de uma geração mais nova e tem um estilo meio pop. Ele é super conhecido e tal (não no Brasil, que se isola um pouco desse cenário, infelizmente). Alguns dizem que o que ele faz não é salsa de verdade. Eu deixo a discussão para os mais entendidos, mas enxergo nesses comentários muito saudosismo e um pouco de preconceito. Até porque se os artistas novos não cantam e tocam salsa, como ela vai continuar existindo, não é mesmo? Enfim, eu gosto dele. Essa música que compartilho não é tão nova, mas é uma das minhas preferidas.

 

Sobre a “salsa velha” e os clássicos da salsa, resolvi compartilhar dois vídeos O primeiro é de um cantor chamado Héctor Lavoe. Pode pular pro minuto 1:14, que é quando a música começa mesmo. Aliás, o Marc Anthony interpretou um filme sobre a história do Héctor Lavoe, chamado “El Cantante”, se alguém se interessar em ver. Héctor Lavoe foi um cantor porto-riquenho, um dos maiores nomes da salsa até hoje, mesmo após tantos anos de sua morte.

 

O segundo vídeo é longo, então para quem se intressar, assista quando tiver um pouquinho mais de tempo. É um show completo, gravado em 1974, na África, em Zaire (atual República Democrática do Congo). É um show realmente impressionante de um grupo chamado Fania All Stars, que contava com vários grandes nomes da salsa. Eu, pessoalmente, achei muito curioso essa apresentação em um país africano naquela época, levar a salsa, um ritmo super latino, para lá. Será que as pessoas conheciam? Curtiam? Pois vendo o vídeo, isso me pareceu muito evidente. O show aconteceu antes da luta de boxe entre Muhammad Ali e George Foreman e, pelo que li depois, tinha o objetivo também de promover a integração cultural e racial. É um show histórico. E dá para ver toda a riqueza musical não só dos cantores, como da orquestra, do maestro. Vale a pena ver.

 

Enfim, isso é um pouco do que eu tenho escutado ultimamente. Espero que quem chegar aqui, chegue sem preconceitos musicais e de outros tipos para conhecer essas preciosidades.

 

 

 

 

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2 comentários sobre “Não gosto mais de rock?

  1. Pingback: As músicas que não saem da minha cabeça #5 – Ana Tijoux |

  2. Pingback: Não consigo parar de ouvir Shadia Mansour |

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