Feliz Páscoa!

Hoje vou apenas compartihar uma citação de um dos livros que mais gosto.

“Foram ao extremo da colina e olharam para baixo. A grande estrela solitária desaparecera. Toda a paisagem da terra tinha um ar cinzento-escuro, mas, para além, muito longe, lá no fim do mundo, o mar brilhava, pálido. Havia tons róseos no céu. Andaram para lá e para cá, inúmeras vezes, do corpo morto de Aslan ao sopé da colina. Em certo momento, ficaram imóveis olhando para o mar e para o castelo de Cair Paravel, que só agora começaram a distinguir. E enquanto estavam ali, no lugar em que a terra se acaba e o mar começa, o vermelho tornou-se dourado, e o sol começou a surgir devagarinho. Foi quando ouviram um grande barulho, um barulho ensurdecedor de uma coisa que estala, como se um gigante acabasse de quebrar um prato gigantesco.
– Que barulho foi esse? – disse Lúcia, agarrando-se ao braço de Susana.
– Não sei. Estou com medo… estou com medo de olhar…
– Devem ter voltado… Vamos olhar! – E Lúcia virou-se, obrigando Susana a fazer o mesmo.
O sol dera a tudo uma aparência tão diferente, alterando de tal maneira as cores e as sombras, que por um momento não reparam na coisa de fato importante. Até que viram. A Mesa de Pedra estava partida em duas por uma grande fenda, que ia de lado a lado. E de Aslan, nem sombra.
– Oh! Oh! Oh! – gritaram as meninas, correndo para a mesa.
– Isso é demais! Podiam ao menos ter deixado seu corpo em paz.
– Mas que coisa é essa? Ainda será magia?
– Magia, sim! – disse uma voz forte, pertinho delas. – Ainda é magia.
Olharam. Iluminado pelo sol nascente, maior do que antes, Aslan sacudia a juba (pelo visto, tinha voltado a crescer).
– Aslan! Aslan! – exclamaram as meninas, espantadas, olhando para ele, ao mesmo tempo assustadas e felizes.
– Você não está morto?
– Agora, não.
– Mas você não é… um… um…? – Susana, trêmula, não teve a coragem de usar a palavra “fantasma”.
Aslan abaixou a cabeça dourada e lambeu-lhe a testa. O calor de seu bafo era de uma criatura viva.
– Pareço um fantasma?
– Não! Você está vivo! Oh, Aslan! – gritou Lúcia, e as duas meninas atiraram-se sobre ele com mil beijos.
– Mas explique tudo isso, por favor – disse Susana, ao recuperar um pouco a calma.
– Explico: a feiticeira pode conhecer a Magia Profunda, mas não sabe que há outra magia, ainda mais profunda. O que ela não sabe vai além da aurora do tempo. Mas, se tivesse sido capaz de ver um pouco mais longe, de penetrar na escuridão e no silêncio que reinam antes da aurora do tempo, teria aprendido outro sortilégio. Saberia que, se uma vítima voluntária, inocente de traição, fosse executada no lugar de um traidor, a mesa estalaria e a própria morte começaria andar para trás…”
 C. S. Lewis (As Crônicas de Nárnia – “O leão, a feiticeira e o guarda-roupa”)

FELIZ PÁSCOA!

 

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