Os 15 autores que mais me influenciaram #1

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Está rolando no Facebook um desses joguinhos meio “corrente”, eu geralmente não participo de nenhum, mas os joguinhos literários sempre me agradam. Uma amiga minha me marcou em sua publicação, me convidando a listar os 15 autores que me influenciaram. Eu ia fazer isso lá no Face mesmo, mas decidi fazer isso aqui no blog para falar à vontade e ninguém me censurar por isso. Porque obviamente eu sou incapaz de apenas citar os autores e preciso falar por que eles me influenciam.

Pensei em alguns nomes que não apenas me influenciaram em algum momento, mas que são meus “guias” para a vida, digamos assim. Me influenciam eternamente. Dividi a lista em literários e acadêmicos, que têm a mesma importância para mim. Mas os acadêmicos influenciam num aspecto a mais, que é a maneira como eu encaro a pesquisa na universidade e a Antropologia que, acho que alguns de vocês sabem, é minha área predileta nas Ciências Sociais (em que sou formada).

Achei que essa publicação ficaria gigantesca, então decidi dividir em duas partes. Nessa primeira, vou falar dos autores de literatura e vou começar agora para não deixar esse post ainda mais longo. A lista não está em ordem de preferência, ou de mais ou menos influência, é uma ordem aleatória, conforme eu fui me lembrando.

 

1 – Mário de Andrade: é um dos meus escritores prediletos e, entre os brasileiros, o preferido. Eu havia lido Mário de Andrade na época do colégio, mas para ser sincera, nunca tinha entendido muito bem. “Macunaíma”, por exemplo, era um livro que eu achava super chato. É aquela coisa, a gente lê no colégio apenas por obrigação, sem estudar o contexto, sem nos aprofundarmos no conteúdo, etc. Na época da faculdade eu fiz uma pesquisa de iniciação científica que resumidamente era sobre festas populares e o Modernismo. Foi aí que o Marinho, como eu carinhosamente o chamo, ganhou meu coração. Pude ler e reler livros dele, publicações em revistas, trocas de cartas com outros autores e sinto que o conheci de verdade. Me encanta a maneira como ele pensa o Brasil e fala sobre isso, adoro a paixão dele pelo folclore e a cultura popular, me inspiro na sua ideia de que o poeta (o escritor) deve se reeducar para estar comprometido com o contexto político e social. Mário de Andrade é realmente genial. Sempre recomendo a quem não gostou de Macunaíma logo de cara, como eu, que dê uma segunda chance, leia o livro no seu contexto e provavelmente a opinião sobre ele vai mudar. Não custa tentar.

2 – Fernando Sabino: Sempre digo que o Sabino é um escritor subestimado na literatura brasileira. Talvez por ter muitos escritos de um gênero literário que também considero meio subestimado: a crônica. Mas as crônicas de Sabino são maravilhosas. Quando você lê, parece que você é ele, olhando aquilo que ele relata pelos olhos dele. Além disso, os romances também são maravilhosos. “O Encontro Marcado”, por exemplo, é um dos meus livros preferidos da vida (recentemente escrevi sobre uma releitura dele AQUI). “O grande mentecapto” é divertidíssimo e cheio de ensinamentos. Admiro muito o Fernando Sabino pela leveza com que ele escreve as coisas, até as mais profundas. Acho que é nisso que ele me influencia, nesse olhar leve para o cotidiano. Queria um dia escrever como ele.

3 – C. S. Lewis: O autor de “As Crônicas de Nárnia” me influencia tanto que eu tenho uma tatuagem nas costas por causa desse livro. Na verdade, a tatuagem não é simplesmente porque gostei do livro, mas pela mensagem que Lewis ilustra nele e que está presente em outras obras suas que não são de literatura. (Curiosidade sobre a tatuagem e seu significado, leia esse texto AQUI). Lewis é um cristão que fala coisas que a maioria dos cristãos não falam, que pensa além do óbvio, que ousa imaginar. É por isso que o admiro tanto. Não é em tudo que concordo com o que ele diz, mas acho que na maior parte das coisas, sim. A influência dele sobre mim é em dois sentidos: 1 – em incentivar a liberdade para pensar o Cristianismo, 2 – em incentivar a liberdade para imaginar coisas extraordinárias.

4 – Gabriel Garcia Marquéz: Gosto do Marquéz antes de morar na Colômbia. Seus livros me chamam a atenção justamente por esse realismo mágico que ele traz. Também é um olhar para o cotidiano, para a vida nos povoados, mas é um olhar que quando ele conta o que vê a gente não sabe até que ponto é “verdade” e até que ponto é a imaginação funcionando. Ou sempre foi a imaginação? Ou sempre foi a “verdade”? Isso é deliciosamente enlouquecedor. O interessante é que, além disso, Marquéz sempre descreve muito bem os lugares e personagens e com isso praticamente coloca você dentro da história, é maravilhoso.. Não consigo pensar em outro autor que escreva como ele escreveu e que cause esse sentimento no leitor. A influência dele talvez seja essa, de ensinar a ver a magia no cotidiano.

5 – Julio Cortázar: Cortázar é um escritor argentino pelo qual eu me apaixonei no primeiro livro que li, “Os prêmios”. Ele faz uma literatura fantástica (no sentido literário, não literal da palavra) que eu gosto muito, porque é meio sutil. O absurdo nos livros do Cortázar parece, ao mesmo tempo, muito plausível. É o absurdo da vida, no fim das contas. Fora a questão literária, gosto muito do Cortázar pelo envolvimento político que ele tinha. Acho que já de para perceber que escritores que se comprometem socialmente sempre recebem minha admiração. Cortázar é um deles. Não se esquivou de falar sobre a ditadura argentina, sobre a questão política do seu país. Em uma época dura e difícil, se posicionar é necessário e ele fez isso, por isso o admiro também e acho que isso é um ponto em que ele me influencia.

6 – Dostoievski: Resumo minha história com Dostoievski com essa imagem:

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É só uma piada, claro, mas com um fundo de verdade. Não li Dostoievski quando criança, mas acho que não comecei a ler na idade apropriada, foi durante minha adolescência. O curioso é que não li porque se tratava de um clássico e no auge da minha arrogância de adolescente queria mostrar que era intelectual, sinceramente não foi por isso. Mas foi porque me interessei pela história do príncipe Michkin, o personagem de “O idiota”, que foi o primeiro livro dele que li. Depois li vários outros e muita coisa não entendi, ou na minha falta de experiência de vida, passaram em branco. Por isso sinto que preciso reler tudo o que já li de Dostoievski. Mas mesmo assim, alguma coisa nas histórias desse russo me marcaram profundamente. Essa melancolia em todos os livros, talvez, as tragédias da vida, o caráter humano, o que há de ruim nas pessoas que preferimos fingir que não existe, a questão sobre Deus… enfim, posso dizer com certeza que ele me influenciou nas grandes questões filosóficas que me fiz naquela fase e me faço até hoje. Meu medo em reler seus livros é de ficar com vários nós na cabeça novamente. Mas é um medinho bom.

7 – Carolina Maria de Jesus: Se você ainda não conhece essa escritora brasileira, precisa conhecer. Eu vim a conhecê-la somente na época da faculdade e isso trouxe muitas questões para mim. Por exemplo: por que nos obrigam a ler apenas os “clássicos” da literatura na escola e não nos apresentam escritores brasileiros contemporâneos que falam sobre uma realidade mais próxima de nós? Por que quase não lemos escritoras mulheres? Mais importante ainda: por que não nos apresentam na escola escritores e escritoras negros e negras? Carolina Maria de Jesus precisa ser conhecida. Seu livro mais conhecido se chama “Quarto de Despejo”, é um diário de Carolina sobre sua vida de mulher negra, mãe, catadora, moradora da periferia de São Paulo. A realidade nua e crua, como dizem. Carolina me inspira e me influencia com sua vida, com sua força e seu amor por escrever. Aproveito esse momento para recomendar sua leitura.

8 – Ágatha Christie: Li muitos livros da dama do mistério durante minha infância e adolescência. Acho que posso dizer que sua maior influência sobre mim foi em incentivar meu gosto pela leitura. Esse gosto é alimentado desde pequena pela minha mãe e minhas tias, mas desconfio que se não encontramos bons escritores pela vida para alimentar esse amor pelos livros, ele não vai adiante. Bem, a Ágatha Christie teve esse papel para mim. Eu devorava cada história, tentando desvendar os crimes de cada livro, admirava cada um dos seus detetives pela inteligência e perspicácia deles e isso me fazia ler e ler e ler e ler… Depois de adulta, Ágatha Christie ganhou minha admiração por outro motivo mais: o fato de ser uma mulher tão bem sucedida em uma área dominada por homens, ainda mais naquela época. Faz muito tempo que não leio nada dessa escritora, mas ela tem um papel importante na minha trajetória literária.

 

Bem, acabo por aqui a primeira parte sobre os escritores que mais me influenciaram. Gostaria apenas de ressaltar uma coisa antes de me despedir. Faça esse exercício (não precisa ser para publicar): pense nos 15 escritores que mais te influenciaram. Pensou? Quantas nessa lista são mulheres?

Quero chamar a atenção para isso porque ao pensar na minha lista vi o número discrepante de homens em relação às mulheres. Sabemos que historicamente as mulheres foram excluídas de vários âmbitos sociais, profissionais, etc. Na Literatura não é diferente. Algumas conseguiram se destacar, mas fico pensando quantas outras não tiveram a chance de sequer publicar um livro. Além disso, nos centros educacionais, seja de ensino básico ou superior, não vemos o incentivo da leitura de livros escritos por mulheres. Pelo menos eu vejo isso com muita clareza na minha formação e uma das provas disso é que entre 15 autores que mais me influenciaram até hoje, apenas 3 são mulheres (a outra virá na próxima lista). Não é porque eles são melhores que elas, é porque eu não tive a mesma oportunidade para ler o que elas escreveram. Tenho buscado conhecer mais livros escritos por mulheres e aceito dicas de leitura.

Enfim, na próxima postagem terminarei essa lista sobre os autores que mais me influenciaram. Se vocês quiserem participar do joguinho, façam também suas listas.

Abraços.

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5 comentários sobre “Os 15 autores que mais me influenciaram #1

  1. Pingback: Desafio Literário 2017: junho – Ágatha Christie |

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