Os 15 autores que mais me influenciaram #2

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No post anterior comecei minha lista dos 15 escritores que mais me influenciaram. Falei para vocês que iria dividir em duas partes para o texto não ficar tão gigante. Falei também que iria dividir a lista entre escritores de literatura e os acadêmicos. Então essa segunda parte é para falar sobre os que me influenciaram não só na vida, mas na pesquisa acadêmica e no meu olhar sobre a sociedade (e sobre a Antropologia, de maneira específica).

A lista não está em ordem de mais ou menos influência, ou de mais ou menos admiração. É uma ordem aleatória, conforme eu fui me lembrando.

Então sem enrolação, vou começar, ou melhor, continuar a lista (por isso vai começar no número 9):

 

9 – Clifford Geertz: Geertz foi um antropólogo estadunidense, um dos mais influentes do século XX. Uma das coisas que eu mais gosto no Geertz é que ele fala que a cultura precisa ser lida como lemos um texto. Isso significa que precisamos interpretá-la. Geertz não chega ao limite do pós-modernismo, onde que tudo é uma interpretação. Interpretar a cultura, para Geertz, é lê-la dentro de um contexto e procurar aí o seu significado, tendo em conta que nunca vai achar o significado da cultura como um todo. Isso parece simples, mas foi uma maneira completamente nova de pensar a pesquisa antropológica. A verdade é que ainda hoje não é simples fazer esse exercício de caminhar entre texto e contexto para entender um problema. Outra coisa que eu gosto nas teorias de Geertz e que muito me influencia é sobre o papel do pesquisador na hora de escrever. Ele chama a atenção para o fato de que quando um pesquisador escreve seu relatório, dissertação, tese, ele está criando um texto. Ali tem a subjetividade do seu olhar, da interpretação que ele fez, da própria escrita e isso não deve ser ignorado, pelo contrário, deve ser problematizado por ele. Assim como o público leitor que não é mais somente seus pares na academia, mas, talvez, até o próprio grupo estudado por ele. Enfim, Geertz me influenciou e influencia muito na hora de pensar minha metodologia de pesquisa. Ele me ajuda a problematizar minha presença num trabalho de campo, minha leitura, minha escrita e meu papel como pesquisadora.

10 – Antonio Candido: Ele não é exatamente das Ciências Sociais, mas é como se fosse. Candido se formou em Sociologia, mas depois passou para os estudos literários. O que foi a melhor coisa para nós, leitores de suas obras, porque ele junta lindamente as duas coisas. Durante a graduação tive a chance de me aprofundar um pouco mais na leitura do Antonio Candido justamente porque fiz uma pesquisa para estudar um aspecto da sociedade usando como ferramenta obras literárias do Modernismo. Candido foi um verdadeiro guia na minha compreensão de que não dá para descolar a arte de seu contexto social. Também me influencia muito com seus estudos sobre a Literatura Brasileira.

11 – Lúcio Kowarick: Kowarick é um sociólogo brasileiro que tem contribuído muito com os estudos de sociologia urbana. Sociologia/Antropologia urbana é uma área que me interessa muito e pude me aprofundar um pouco mais nisso no final da graduação e durante o mestrado, foi aí que conheci esse autor que tem um olhar crítico muito importante e interessante sobre as cidades. Ele realizou algumas pesquisas etnográficas em São Paulo e aborda temas como a pobreza, a segregação social, o crescimento desenfreado da metrópole e as consequências disso. É uma leitura chave para qualquer pessoa que queira fazer pesquisa urbana e por isso ele influencia não só a mim, mas inúmeros pesquisadores da Sociologia e Antropologia, principalmente.

12 – Robert Darnton: O primeiro livro que li do Darnton foi “O grande massacre de gatos”. Parece o nome de um livro de terror, mas é uma análise que ele faz da sociedade francesa do século XVIII a partir do registro de narrativas que eram contadas pelas pessoas daquela época. Darnton é um historiador muito influenciado pelo antropólogo Geertz (que eu falei lá em cima) e ele faz parte de um grupo de historiadores que estuda História de um jeito diferente, porque olha para a cultura, o que é algo muito importante. Ele me influencia muito a pensar a relação Antropologia e História, o que é muito importante para a pesquisa antropológica também, na minha opinião. Darnton ainda oferece muitas ferramentas para pensar a pesquisa documental, o que não é uma prática talvez tão comum na Antropologia, mas que eu gosto muito, pois acredito que os registros de todos os tipos são importantes na compreensão da sociedade.

13 – Milton Santos: Não sei se posso dizer que Milton Santos me influencia diretamente no jeito de fazer pesquisa, já que ele é um geógrafo e embora muitos diálogos com a Antropologia sejam possíveis, as metodologias são muito diferentes. Mas com certeza ele me influencia muito como intelectual e por sua militância. Santos sempre manteve uma postura muito crítica ao capitalismo e às várias formas de opressão. Suas obras trazem um ponto de vista bastante sociológico da Geografia e aborda questões como pobreza e segregação. Durante a ditadura militar, Santos foi exilado por causa de seu posicionamento contrário ao regime. Ele retornou ao Brasil muitos anos depois e é, sem dúvidas, um dos maiores intelectuais contemporâneos.

14 – Gilberto Velho: Ele é um dos grandes nomes da Antropologia brasileira e um dos pioneiros da Antropologia Urbana no Brasil. Gilberto Velho influencia não só a mim, mas também a muitos outros pesquisadores interessados em estudar nessa área. Suas pesquisas de campo são verdadeiramente inspiradoras, porque além de tudo apresentam ferramentas para pensar o familiar, o que é próximo, o cotidiano. Para investigadores interessados em estudar sua própria cidade, seu bairro, algo realmente próximo, nem sempre é simples conseguir certo estranhamento (necessário numa pesquisa cientifica), isso precisa ser problematizado e Gilberto Velho nos oferece meios para pensar questões como essa. É praticamente uma leitura obrigatória para quem é da Antropologia Urbana e, com certeza, uma grande influência para mim.

15 – Zilá Bernd: A única mulher dessa pequena lista não é das Ciências Sociais, mas da Letras. Tive contato com algumas obras suas também no fim da graduação/ início do mestrado, por causa do tema de identidade e literatura negra. Zilá me influencia não apenas pelos temas escolhidos para pesquisar, mas pela forma como escreve, que é maravilhosamente didática, em minha opinião. Além disso, me influencia muito a ler autores que não são exatamente da Antropologia para pensar temas que podem e devem ser dialogados entre as diversas áreas.

 

Por fim, termino a lista dos 15 autores que mais me influenciam. Obviamente, existem muitos outros que me influenciam de diversas formas, mas precisei selecionar 15 e foram esses que considerei mais especiais. Como disse no post anterior, percebi uma discrepância muito grande entre o número de homens e mulheres, o que considero muito triste por ser uma característica do machismo estrutural, que privilegia os homens em todas as áreas. Uma lista com mais autores homens que mulheres não significa que eles são melhores que elas, mas que durante nosso processo educacional não tivemos as mesmas oportunidades para ler livros escritos por mulheres. Isso precisa mudar. Eu quero mudar na minha formação e por isso aceito indicações de escritoras e intelectuais mulheres, para ler e discutir com vocês.

Quem quiser participar do joguinho, faça também sua lista dos 15 autores que mais te influenciaram e me avisa aqui para eu poder ler.

Um abraço.

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Um comentário sobre “Os 15 autores que mais me influenciaram #2

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