Depois da parede

Da série: textos antigos. 

Eu não vou mentir pra vocês, estou completamente sem tempo ultimamente. O que significa que não consigo parar e escrever coisas para o blog, embora haja muitas coisas sobre as quais eu queira falar. Estou tentando me organizar melhor pra dar conta de tudo, mas está difícil. Então talvez eu demore um pouco pra falar sobre todas as coisas que já prometi aqui, mas garanto que minha bagunça vai diminuir em algum momento. Até lá, paciência, né? Pra não deixar o blog às moscas por enquanto, fui olhar os textos antigos que publiquei nos meus blogs de eras atrás, pra ver se ainda havia algum que eu gostaria de republicar. Encontrei esse, que é uma memória de infância misturada com uma reflexão clichê, mas ainda assim, muito útil. Foi escrito em 2008, espero que gostem. 

 

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Depois da parede

Uma das brincadeiras que eu e meus irmãos costumávamos fazer, quando éramos crianças, era algo bem sem noção: nos jogar na parede. Óbvio, não diretamente nela. Colocávamos um colchão encostado em pé e disputávamos quem pulava mais alto. Quando descobrimos que quanto maior distância tomávamos, mais alto pulávamos, a brincadeira ficou emocionante.

Não sei se eles se lembram desse fato, mas eu me lembro bem do dia em que me machuquei. O colchão, que já não era muito firme, às vezes caía no meio da brincadeira. Às vezes caía enquanto alguém ainda estava correndo, o que dava tempo suficiente para a pessoa não se jogar na parede. Mas não dessa vez. Eu tomei uma boa distância, corri muito rápido (seria o salto perfeito!) e me joguei. Na parede vazia, pois o colchão havia caído. Eu me lembro que meus irmãos deram risada e logo se preparam para o próximo que iria se jogar. Mas fiquei no chão um bom tempo, com os olhos cheios de lágrimas e com o corpo cheio de dores.

Nada mais grave aconteceu, além das dores pelo corpo. Mas o que ficou bem guardado em minha memória foi o momento em que eu fiquei no chão, quase chorando. Com dor. Esperando que meus irmãos parassem de brincar para ver o que havia acontecido comigo. Deve ter sido por um minuto, mas pareceu uns cinco. Naquele momento eu pensei no quanto aquela brincadeira era estúpida. Não queria chorar, pois meus irmãos dariam ainda mais risada. Me levantei e fui assistir televisão, só voltei a brincar no dia seguinte.

No dia seguinte eu não achava mais a brincadeira tão estúpida, achava divertido, mas tomava mais cuidado. Esqueci rápido, como toda criança faz. Mas não esqueci totalmente, como todo adulto faz. Interessante que as crianças realmente não pensam muito no que fazem. A brincadeira sem noção não era vista assim por nós. A não preocupação de meus irmãos comigo não foi por maldade. Era apenas algo legal que, naquele momento foi ruim (para mim), e talvez houvessem outros momentos ruins, mas que não estragava todo o resto. Ontem, me lembrando disso, eu pensei que o que foi ruim para mim, me fez crescer de alguma maneira. Me fez enxergar as coisas (a brincadeira) de outro modo. Mas não estragou tudo e não me fez parar de brincar por ter caído uma vez. Pensei também o quanto seria bom se pudéssemos fazer isso em todos os aspectos da vida: levantar diferente e continuar. Mas quando crescemos isso é muito mais difícil.

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