O Mochileiro das Galáxias – Finalmente eu li!

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Após quatro anos de ter adquirido a série completa do Mochileiro das Galáxias, eu finalmente consegui ler todos os livros. Sempre quis ler a série seguida, mas ainda não tinha encontrado tempo ou vontade necessária para isso. Estou numa fase de ler todos os livros que tenho e que ainda não foram lidos, antes de comprar livros novos. Primeiro, porque não tenho dinheiro. Segundo, porque é preciso estar consciente dos gastos desnecessários que fazemos, não é mesmo? Foi colocando em prática essa ideia que peguei os cinco livros para ler de uma vez por todas.

Contei em várias publicações aqui como estava sendo o processo de leitura, mas quis acabar de ler todos os livros para fazer um comentário mais completo sobre o que achei. O texto vai ficar um pouco grande, mas você não precisa ler tudo. Vou dividi-lo em duas partes. Primeiro vou fazer um comentário geral sobre o que eu gostei e não gostei. É provável que em algum momento eu comente especificamente sobre alguma parte do livro, mas não se preocupem que avisarei se é spoiler ou não, assim, se você ainda pretende ler e não gosta de spoilers, não precisará ficar bravo comigo, basta pular essa parte. Em segundo lugar, vou colocar a sinopse de cada livro para quem ainda não leu a série e talvez tenha interesse de saber do que se trata. Se você já leu, obviamente, não vai precisar ler isso.

Quero dizer que as edições que eu li são as da Editora Arqueiro, do ano 2009. É uma edição possível de encontrar com um preço bem acessível, o que é muito bom. Mas ela não traz nenhum tipo de contextualização, comentários, nada disso. Então o que for dito aqui é unicamente a visão de uma leitora em contato com os livros pela primeira vez. Obviamente, durante a leitura eu pesquisei um pouco mais sobre Douglas Adams e seu universo, mas não me aprofundei, o que talvez empobreça minha opinião sobre os livros. Mas como estou ansiosa para falar sobre eles, resolvi escrever mesmo assim. No futuro, quando eu pesquisar um pouco mais, quem sabe eu volte para rever algumas opiniões. Dito isto, vamos ao que mais interessa.

 

A vida, o Universo e tudo mais

A série de livros O Mochileiro das Galáxias já é considerada um clássico da Literatura. Não apenas pelo humor de Douglas Adams e suas críticas à sociedade, algo que há de sobra nos livros, mas também porque pensada em seu contexto histórico, social e cultural é uma obra cheia de genialidade.

Para um leitor de hoje, especialmente um leitor pouco atento, falar em viagens no tempo e espaço, de tecnologias que atualmente são até ultrapassadas, pode não parecer grande coisa. Mas ainda que você, assim como eu, não tenha pesquisado muito sobre a produção desses livros, não dá para ignorar o contexto em que eles foram escritos.

Douglas Adams é totalmente inovador ao fazer algumas descrições, parece que ele mesmo fez algumas viagens no tempo. Por exemplo, quando ele descreve o Guia do Mochileiro das Galáxias (o livro, o guia de viagens), ele faz uma descrição quase perfeita de um leitor de e-book em 1979! Vocês podem imaginar como era para um leitor daquela época ler tudo isso que apresentava o autor? Mesmo depois de tanto tempo, não é impressionante para um leitor de hoje em dia ver tamanha imaginação? Esses livros são, sim, absolutamente geniais.

Bem, em geral, eu gostei dos livros, mas devo dizer que algumas coisas não me agradaram tanto. Então resolvi comentar sobre os dois lados, digamos assim, mesmo que isso talvez desagrade os grandes fãs dos livros. Quando houver spoiler, eu aviso e você pode pular se não estiver interessado em saber. Vamos começar pelo que eu não gostei.

O livro não é realmente uma série. OK, eu reconheço que o fato de eu não ter gostado disso é menos pela qualidade dos livros e mais pela minha expectativa. Eu esperava uma história completa, uma série realmente, em que cada livro fosse a continuação do anterior. Mas não é assim. Alguns personagens são constantes, como o Arthur Dent, que é o principal, ou o Ford Perfect, mas não são todos. Essa é uma dica importante para quem vai começar a leitura esperando uma linearidade na história e uma constância dos personagens: nada disso existe! Acho importante dizer para evitar desapontamentos como o meu.

Como consequência da não linearidade, alguns personagens simplesmente desaparecem na história, o autor não fala mais neles, não dá nenhuma finalização e resta a nós, leitores, imaginarmos o que aconteceu. Para dar um exemplo do assunto, eu vou precisar fazer um SPOILER, então se você não quer ler, pule o parágrafo seguinte.

(Contém spoiler) Um personagem que desaparece no decorrer da história e me deixou muito triste por isso é o Zaphod. No primeiro livro ele parece ser um personagem chave para a história toda, com esse segredo que esconde dele mesmo e o roubo da nave Coração de Ouro. Mas ele vai desaparecendo, no terceiro livro mal desempenha algum papel e depois simplesmente não sabemos mais nada dele. Outro personagem irritantemente querido, o robô Marvin, também fica um bom tempo sem dar as caras, mas nesse caso pelo menos ele tem um final (rápido e triste, mas um final) no quarto livro.

Outra consequência de o livro não ser uma série é que algumas histórias que a princípio parecem muito importantes para o enredo como um todo, simplesmente são abandonadas pelo autor. Ele não fala mais sobre elas, não oferece maiores explicações e, muito menos, um final. Sobre esse assunto, li vários comentários na internet chamando atenção para o fato de que essa série de livros foi escrita em um intervalo de tempo muito grande. Os livros foram publicados de 1979 a 1992. O argumento é de que por esse motivo algumas histórias ficaram sem final, pois o autor escreveu em outra época, outro contexto, anos depois de haver escrito o primeiro livro, o que torna algumas ideias obsoletas, ou ele simplesmente não quis voltar a elas. Esse argumento faz muito sentido, mas não muda certo sentimento de decepção em esperar a continuação da história e não ter. Vou dar um exemplo com spoiler a seguir, então se você não tem interesse em saber spoiler, pule o próximo parágrafo.

(Contém spoiler) Algo que também parecia ser chave no primeiro livro e eu pensei que seria desenvolvido depois é sobre a Terra ser (ou ter sido) um computador para calcular a resposta da vida, do Universo e tudo mais. Mais interessante ainda: eram ratos que controlavam tudo isso! No fim, não sabemos o que houve com os ratos, ou com a pergunta para a resposta 42. OK, seria querer demais que Douglas Adams nos desse essa pergunta, mas eu gostaria de ter, pelo menos, um fechamento para essa história, vocês não?

Os fãs da série talvez me odeiem por esses pontos listados, mas fazer o que? Foi minha percepção como leitora. Como eu disse no início, talvez minha opinião seja um pouco superficial por eu não ter me empenhado em pesquisar mais sobre o que já foi dito sobre esses livros em análises aprofundadas. Então se você tem essa base maior de conhecimento e quer debater algum dos meus comentários negativos, faça isso aí nos comentários. Para todos ficarem felizes, vamos agora aos pontos positivos.

O humor de Douglas Adams é uma das coisas mais sensacionais nesses livros. Tudo bem que em certos momentos, especialmente nos dois últimos livros, algumas passagens me pareceram forçadas demais. São pequenas histórias dentro da grande história do livro, que nem sempre têm algum tipo de conexão com o enredo principal, é só uma digressão mesmo. Eu não sei se isso irritou mais gente, mas a mim me irritava profundamente durante a leitura e talvez por isso, eu não achava muita graça. Isso não quer dizer que esses livros completamente ruins, mas comparados aos dois primeiros, por exemplo, que têm passagens que nos fazem gargalhar, eles são um pouco fracos.

Outra coisa que gostei muito durante a leitura desses livros é a maneira de escrever do Douglas Adams. Parece realmente que ele está sentado do seu lado contando uma história extraordinária de viagens pelo espaço. O seu senso de humor é muito crítico e cheio de ironias, o que é algo que eu gosto muito também. É muito difícil não se envolver com a história, mesmo que você talvez perca algumas referências que ele quis fazer (acontece!).

Douglas Adams foi um crítico de sua época e ele usa a história dos livros para apontar alguns pontos fracos, se podemos dizer assim, de sua sociedade, mas, me atrevo a dizer, são críticas atemporais. Vejam por exemplo, essa citação:

– Ele vem de uma democracia muito antiga, sabe…

– Você está querendo dizer que ele vem de um mundo de lagartos?

– Não – respondeu Ford que, àquelas alturas já estava um pouco mais racional e coerente do que antes, tendo finalmente sido forçado a tomar uma xícara de café -, nada tão trivial. Nada assim tipo isso tão compreensível. No mundo dele, as pessoas são pessoas. Os líderes é que são lagartos. As pessoas odeiam os lagartos e os lagartos governam as pessoas.

– Ué – comentou Arthur – achei que você tinha dito que era uma democracia.

– Eu disse – afirmou Ford. – E é.

– Então – quis saber Arthur, torcendo para não soar ridiculamente estúpido -, porque as pessoas não se livram dos lagartos?

– Ah, sim – disse Ford, dando de ombros –, é claro.

– Mas – perguntou Arthur, sem medo de ser feliz – por quê?

– Porque, se deixam de votar em um lagarto – explicou Ford -, o lagarto errado pode assumir o poder. (…) Algumas pessoas dizem que os lagartos são a melhor coisa que já lhes aconteceu – explicou ele – Elas estão completamente enganadas, é claro, completa e absurdamente enganadas, mas é preciso que alguém tenha a coragem de dizer isso.”

Não parece familiar para vocês? Há passagens como essa em todos os livros e é realmente brilhante a maneira leve e “despreocupada” como o autor, contando uma história sobre viagens no espaço, consegue fazer críticas tão precisas e afiadas. Essa é uma das coisas que eu mais gostei nos livros e mostra toda a genialidade do autor.

Além disso, os personagens dos livros são maravilhosos! Mesmo os que desaparecem. Douglas Adams não “perde” muito tempo descrevendo cada um deles, mas mesmo assim consegue nos dar uma imagem perfeita de como eles são, de suas personalidades. Fazer isso não é fácil e ele fez muito bem. Não à toa os fãs dos livros são apaixonados por alguns personagens. Eu, particularmente, gosto muito do Marvin, o robô que vive reclamando de tudo. Talvez eu tenha me identificado com ele, não sei.

Enfim, para mim os pontos positivos têm um peso muito maior e, por isso, eu recomendo muito a leitura desses livros. Eles foram escritos em um contexto específico, mas têm características atemporais. Se você gosta de humor, ironia e boas história, inclua essa série em suas leituras obrigatórias. Depois que ler volte aqui e me conte o que achou.

Abaixo vou deixar a sinopse de cada um dos livros.


O guia do mochileiro das galáxias. Arthur Dent tem sua casa e seu planeta (sim, a Terra) destruídos em um mesmo dia, e parte pela galáxia com seu amigo Ford, que acaba de revelar que na verdade nasceu em um pequeno planeta perto de Betelgeuse.
Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, este livro vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado. Este é o primeiro título da famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect. A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário. Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da “alta cultura” e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.

O restaurante no fim do universo. O que você pretende fazer quando chegar ao Restaurante do Fim do Universo? Devorar o suculento bife de um boi que se oferece como jantar ou apenas se embriagar com a poderosa Dinamite Pangaláctica, assistindo de camarote ao momento em que tudo se acaba numa explosão fatal? A continuação das incríveis aventuras de Arthur Dent e seus quatro amigos através da galáxia começa a bordo da nave Coração de Ouro, rumo ao restaurante mais próximo. Mal sabem eles que farão uma viagem no tempo, cujo desfecho será simplesmente incrível. O segundo livro da série de Douglas Adams, que começou com o surpreendente “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, mostra os cinco amigos vivendo as mais inesperadas confusões numa história cheia de sátira, ironia e bom humor. Com seu estilo inteligente e sagaz, Douglas Adams prende o leitor a cada página numa maravilhosa aventura de ficção científica combinada ao mais fino humor britânico, que conquistou fãs no mundo inteiro. Uma verdadeira viagem, em qualquer um dos mais improváveis sentidos.

A vida, o Universo e tudo mais. Após as loucas aventuras com seus estranhos amigos em O Guia do Mochileiro das Galaxias e O Restaurante no Fim do Universo, Arthur Dent ficou cinco anos abandonado na terra Pré-Histórica. Mesmo depois de tanto tempo, ele ainda acordava todas as manhãs com um grito de horror por estar preso àquela monótona e assustadora rotina. Talvez Arthur até preferisse continuar isolado em sua caverna escura, úmida e fedorenta a encarar a próxima aventura para a qual seria forçosamente arrastado: salvar o Universo dos terríveis robôs xenófobos do planeta Krikkit. Este é o terceiro volume da “trilogia de cinco” de Douglas Adams, um dos mas cultuados escritores de ficção científica de todos os tempos. Seu humor corrosivo e sua habilidade em criar situações improváveis tornam seus livros fundamentais para qualquer um que tenha capacidade de debochar de si mesmo. Usando o planeta Krikkit como paródia da nossa sociedade e das guerras raciais, Adams cria uma história divertida, inteligente e repleta dos mais inusitados significados sobre a vida, o Universo e tudo mais.

Até mais, e obrigado pelos peixes! Com mais de 15 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo e uma galeria interminável de fãs, a série que traz o inglês Arthur Dent e o extraterrestre Ford Prefect como protagonistas de loucas aventuras espaciais ganha mais um episódio eletrizante. Depois de viajar pelo Universo, ver o aniquilamento da Terra, participar de guerras interestelares e conhecer as mais extraordinárias criaturas, Arthur está de volta ao seu planeta. Tudo parece igual, mas ele descobre que algo muito estranho aconteceu na sua ausência. Curioso com o fato e apaixonado por uma garota tão estranha quanto o que quer que tenha acontecido, ele parte em busca de uma explicação. Com sua peculiar ironia e seu talento aparentemente inesgotável para inventar personagens e histórias hilariantes – embora altamente filosóficas -, Douglas Adams nos presenteia com mais uma genial obra capaz de nos fazer refletir sobre o sentindo da vida de uma forma bem diferente da habitual. Intercalando momentos cômicos com imagens e descrições poéticas, “Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!” é mais uma aventura da “trilogia de cinco” que já levou os leitores a conhecerem situações bem improváveis e a viver momentos de reflexão e de pura diversão.

Praticamente inofensiva. Os anos mais conturbados como um viajante solitário já haviam passado. Arthur Dent se resignara à nova condição e se acostumara à vida pacata e relativamente feliz como Fazedor de Sanduíches em Lamuella. Conquistara até um certo prestígio junto aos habitantes locais e fazia disso um bom argumento para continuar por lá. Ao mesmo tempo, Ford Prefect via-se num conflito profissional ocasionado pela repentina venda do Guia do Mochileiro das Galáxias para outra editora. Sem compreender o funcionamento do novo Guia que passara a se “comportar” de forma estranha e não gostando nem um pouco de seu novo cargo como crítico de restaurantes, Ford se mete em alucinantes roubadas para não sair prejudicado (e para obter algum lucro, é claro). Em outro ponto do Universo, Tricia McMillan havia feito fama intergaláctica como repórter e levava uma rotina razoavelmente satisfatória, até um pequeno planeta chamado Rupert ser descoberto e tudo começar a dar estranhamente errado em sua vida. Espalhados pelos mais insondáveis cantos da Galáxia, Arthur, Ford e Tricia iam tocando suas vidas da melhor forma que podiam, mas tudo se complica novamente quando eles se reencontram. Tentando manter a sanidade e salvar a si mesmos, eles acabam assistindo juntos ao inevitável destino da Terra. Com reviravoltas surpreendentes, Praticamente Inofensiva traz aguardadas respostas, lança novas perguntas e, acima de tudo, faz o leitor lamentar o fim da saga de Dent e seus companheiros. Com um novo olhar sobre seu próprio trabalho, Douglas Adams amadureceu os personagens e a habilidade de criar situações cômicas para criticar a sociedade. Ele se aproveita da trama para discutir as relações de trabalho, as políticas corporativas, as questões éticas da modernidade e as novidades tecnológicas. Mas ainda consegue superar sua capacidade de nos fazer rir de nossas próprias atitudes. Usando e abusando da mesma imaginação ilimitada que demonstra nos livros anteriores, Adams apresenta em Praticamente Inofensiva uma Mistureba Generalizada de Todas as Coisas que fizeram da coleção um grande sucesso ao redor da Borda Ocidental desta Galáxia.

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