O paraíso perdido

knowledge-1052010_1920

Não eu não vim falar do livro do John Milton, foi só para chamar a atenção de vocês para a citação dessa semana. É do livro Maya, do Jostein Gaarder.

Tenho que dizer: esse não foi um dos melhores livros que já li desse autor, mas acho que tenho essa impressão porque eu não estava “no clima” para ler esse tipo de livro, na verdade. No futuro pretendo reler (não sei, talvez, quem sabe). Mas, de modo geral, eu gostei da história e o Jostein Gaarder tem um jeito de fazer a gente pensar em muitas coisas ao mesmo tempo. Por exemplo, a citação que trouxe hoje é como um parêntesis dentro do livro. Não tem uma ligação direta com o tema principal, digamos assim. Mas dentro daquele monte de ideias que o autor traz (como em todos os seus livros), ele coloca essa que me chamou atenção.

Eu gosto muito de viajar, então, esse trecho me chamou atenção duplamente. Leiam e vejam o motivo:

Nossa estirpe sente uma estranha atração pelo “último” ou pelo “perdido”. O valor que se dá a viver uma coisa que poderá ser aproveitada pelas gerações vindouras não é nada em comparação com o valor de ver algo que mais tarde ruirá. Vê melhor quem vê por último. Do mesmo modo, é bastante comum que os familiares disputem a honra de ter sido o último a falar com o falecido.

À medida que o planeta vai se tornando menor e que a indústria turística, mais e mais, ganha novos espaços e subespaços, prevejo um fantástico futuro para o turismo necrológico: “Visitem o extinto lago Baikal!”, “Falta pouco para as Maldivas ficarem debaixo d’água”, ou “Você poderá ser o último a ver um tigre vivo!”. Os exemplos serão incontáveis, porque haverá cada vez menos paraísos, já que eles se sujam e se reduzem, mas isso não vai frear o turismo, muito pelo contrário.

Jostein Gaarder – Maya

A edição que li desse livro é da Companhia das Letras, do ano 2000. Mas não anotei a página na época, então não saberia dizer.

Essa é uma coisa que fico pensando às vezes, que cada vez mais nos importamos menos com os lugares que deixam de existir ou que sofrem com o imapcto que nós causamos. Pior, é como disse o Gaarden, esse fato parece que torna esses lugares mais atrativos aos nossos olhos, a possibilidade de vermos o que ninguém mais vai ver. Isso é realmente triste.

O que vocês pensam sobre esse trecho?

 

Anúncios

Um comentário sobre “O paraíso perdido

  1. Pingback: Um primata monstruosamente auto-suficiente |

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s