Não esqueçam

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Sim, eu sei que não estou compartilhando citações toda semana, como prometi. Mas sei lá, gente, tem dias que eu não tô a fim. E se existe um lugar onde eu posso fazer o que quero fazer quando estou a fim é aqui nesse blog, se não qual o propósito dele, não é mesmo?

Mas aqui estou nessa segunda-feira para compartilhar o trecho de um livro que nos incentive a pensar durante a semana.

Esse trecho é do livro “De repente, nas profundezas do bosque”, do escritor Amóz Oz. É um livrinho pequeno, daqueles livros que supostamente deveriam ser para crianças, mas servem mais para nós, adultos. O livro conta a história de uma aldeia onde não existem animais. Os animais de repente desapareceram e nunca mais voltaram e a ideia de que um dia existiu animais (ou que existe no mundo fora da adeia) é motivo de deboche aos “loucos” que ainda acreditam nessas histórias de fantasia. Eu falei rapidinho sobre esse livro, quando acabei de ler, AQUI.

Essa citação traz um quê de otimismo. Em momentos tão conturbados como os que estamos vivendo, isso é necessário, insistir em falar com os que estão dispostos a ouvir e quem sabe assim mudar alguma coisa. Leiam aí:

“E por enquanto só tomem muito cuidado, por favor, os dois, para não se contaminarem com a doença do desprezo e do deboche. Ao contrário: lentamente procurem curar seus amigos, pelo menos alguns deles, dessas doenças. Falem com eles. Falem também com os ofensores e até com os malvados, com todos os que estiverem dispostos a ouvir. Tentem falar até mesmo com quem debocha de vocês e os despreza. Não liguem, continuem tentando dizer mais e mais.

Até que um dia pode ser que ocorra uma mudança nas almas, e então nós desceremos do monte e quem sabe nascerá em nós um novo coração, em todas as criaturas, pessoas, animais e aves, e todos os carnívoros se habituarão a comer carnemônias em vez de caçar. Até que possamos também nós, eu e todos os meus amigos, e até Nimi, o potro, sair da densidão do bosque e voltar à aldeia, e viver os dias da nossa vida nas casas, pátios, campos, pastos e às margens do rio. O meu desejo de vingança ruirá e soltará de mim, como a pele seca de uma cobra, e nós poderemos trabalhar, amar, passear, cantar, brincar e conversar sem devorar e sem sermos devorados, e também sem debochar um do outro. Agora vocês dois vão em paz. E não se esqueçam. Até quando vocês crescerem e se tornarem pessoas adultas, e talvez também pais se seus filhos, não esqueçam.

Amós Oz – De repente, nas profundezas do bosque

Nunca fui uma pessoa muito otimisma, mas se eu não acreditar que as coisas podem mudar (ainda que seja aos pouquinhos), não verei sentido em mais nada.

Boa semana para vocês!

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