Saldo de Filmes #5

Um dos meus momentos favoritos no blog é falar sobre as coisas que tenho assistido. Sei que isso não é importante para ninguém, mas sinto certa necessidade de compartilhar aquilo que considero legal. Quem sabe a gente pode trocar algumas figurinhas, se vocês já tiverem visto também, né? Depois de alguns meses da minha última publicação sobre os filmes que vi, estou de volta para falar sobre outros mais. Impossível falar de todos que vi nesses últimos tempos, porque foram muitos e não quero que esse post fique maior do que já será, então escolhi apenas alguns.

Nunca é demais lembrar que não sou crítica de cinema e o objetivo aqui não é esse. Quero apenas falar: “olha esse filme que eu vi e achei legal, talvez você goste”, ou: “eita, não gostei muito desse, o que você achou?”. Combinado? Então vamos à lista de uma vez.

 

Get Out – Esse filme teve o título traduzido no Brasil para “Corra!”. Fui assisti-lo no cinema porque fiquei muito interessada no roteiro, já havia lido alguns comentários sobre ele antes de ir ver. Não me arrependi nem um pouco, é um filme bastante interessante. Basicamente, é um thriller sobre um cara negro que vai conhecer a família de sua namorada branca e, aos poucos, percebe que está em um lugar absurdamente hostil e perigoso para ele, embora as aparências mostrem outra coisa. É um filme sobre racismo. Na minha opinião, esse é o verdadeiro terror do filme. Escrevi um texto sobre esse filme para o Beco das Palavras, então não vou falar muito sobre ele, se vocês tiverem interesse, cliquem AQUI para ler. Não é uma crítica cinematográfica, não esperem muito nesse sentido, mas é sobre o que eu consegui perceber do filme. Recomendo ainda um vídeo que faz uma análise realmente boa, cliquem AQUI para ver. Está em inglês, legendado em português. E um texto maravilhoso, que fala sobre a intertextualidade desse filme, que vocês podem ler AQUI. Abaixo deixo o trailer para vocês assistirem:

 

Moonlight – Demorei para assistir o ganhador do Oscar (e mais um milhão de outros prêmios). Perdi a oportunidade enquanto estava em cartaz, depois soube que a Netflix ia inserir ele no catálogo e fiquei esperando ansiosamente. É claro que o fato de ser o ganhador do Oscar me incentivou a ver, mas para além disso, eu queria muito ver um filme com um protagonista negro que não fosse estereotipado, em que a própria história não fosse esterotipada. Valeu a pena. Para quem ainda não viu, o filme conta a história de Chiron em três etapas de sua vida: sua infância e adolescência, permeada por abusos físicos de seus companheiros de escola, uma mãe viciada e uma figura paterna que ele encontra no personagem Juan, um narcotraficante. Depois, sua vida adulta, quando ele próprio se transforma em um traficante e continua na busca por sua identidade. Mas apesar de todo esse contexto violento e problemático, o filme não fala especificamente sobre isso. Fala sobre como Chiron se constroi e se transforma durante esse processo de crescimento, fala sobre o conflito de um garoto negro e pobre que começa a se entender como homossexual, fala sobre toda a complexidade desse personagem. É um filme realmente incrível e não à toa foi tão premiado. Ah! E tem uma trilha sonora muito sensacional. Deixo abaixo o trailer. Se alguém tiver lido alguma análise ou resenha muito boa, compartilhe comigo nos comentários, por favor. Adoro ler esse tipo de texto.

 

Little Sister – Mais um filme no estilo que eu gosto: uma comédia dramática que parece bobinha, mas fala muitas coisas sobre a vida. Conta a história de Colleen e sua família. Ela era uma adolescente gótica que saiu de casa para virar freira, após sua mãe tentar se matar. Fugir foi o jeito de lidar com os problemas. Se aproxima o momento da ordenação, porém ela ainda está meio confusa na vida e decide retornar à sua casa quando fica sabendo que seu irmão, que tinha ido à guerra, voltou. Todo mundo nessa família é meio problemático e quase não falam sobre seus problemas. Apenas Colleen parece ter uma relação mais próxima com seu irmão, que no momento passa por uma depressão. A história do filme se passa toda nesses dias em que Colleen está em sua casa e esses conflitos familiares velhos e novos se colocam para eles. Não achei um filme com grandes temas para problematizar, mas quem precisa problematizar tudo o tempo todo, não é mesmo? É um filme sobre alguns aspectos da vida. Eu gostei bastante. No Brasil, deram o título de “Irmã”. Vejam o trailer:

 

A casa dos espíritos – Esse filme é uma adaptação do livro que leva o mesmo título, da escritora Isabel Allende. Conta a história da famíla Trueba, em um contexto bem abrangente que vai do início do século XX ao golpe militar no Chile, em 1973. A narradora do filme é Blanca, a filha de Estaban Trueba e Clara, que é uma mulher bastante sensitiva. Apesar de a história estar centrada nessa família, o contexto histórico não é ignorado, pelo contrário, ele faz parte da própria história e da mudança de cada um dos personagens. Eu geralmente não gosto de entrar na polêmica filme x livro, porque considero uma discussão um tanto quanto infrutífera. Adaptações para o cinema sempre são exatamente isso: adaptações. É feito um recorte, uma interpretação de história. Não dá para esperar que seja fiel ao livro. Mas nesse caso é impossível não comparar, porque a verdade é que o filme deixa muitíssimo a desejar, cortando partes da narrativa que são muito importantes para a compreensão da história como um todo. Eu ainda vou escrever um post específico sobre esse assunto, comparando o livro e o filme, então não vou me prolongar muito hoje. Mas basta dizer que no filme nem fica claro o porquê do título “A casa dos espíritos”. Quem nunca leu o livro vai encontrar uma história interessante, mas com certeza deficiente. Se você quer assistir o filme, recomendo bastante que leia o livro antes. Ah! O filme traz Meryl Streep, Winona Ryder e Antonio Banderas como alguns dos protagonistas, bem jovenzinhos. Mas, realmente, não consegui gostar dessa adaptação. Vejam o trailer:

 

Sufat Chol (Tempestade de Areia) – Filme israelense, tem como protagonista Layla, uma jovem que vive entre as obrigações das tradições da religião e de sua tribo e a vontade de seguir seu próprio caminho. O filme começa mostrando uma relação próxima e amigável entre Layla e seu pai e conflutosa e distante entre ela e sua mãe. A impressão que dá é que Layla vê sua mãe como uma mulher extremamente submissa e sem vontade própria, que organiza o segundo casamento de seu próprio esposo com uma mulher mais jovem para cumprir as tradições. Porém, Layla vai se dar conta de que tudo é muito mais complexo em sua tribo, do ponto de vista feminino, ao se apaixonar por um rapaz de outra tribo. Nesse momento ela começa a entender melhor a situação de sua mãe e a sua própria. É um filme muito bonito se olhamos para a relação entre Layla e sua mãe, mas é muito tenso se pensamos nessa situação de extremo machismo (por favor, não me venham dizer que é uma questão cultural). Um filme importante também para nós olharmos um pouco para um mundo que parece tão distante da gente, mas no fundo não é tanto assim. Infelizmente só achei o trailer com legenda em inglês (o filme é todo em árabe). Mas na Netflix tem ele inteiro disponível com legenda.

 

Dukhtar – Por falar em um olhar diferente e fora do circuito hollywoodiano, asssiti esse filme paquistanês, que em português tem o título “Filha”. Com a temática um pouco semelhante ao anterior, conta a história de uma mãe que foge com sua filha de 10 anos, para livrá-la de um casamento forçado, imposto como condição por um líder tribal para estabelecer a paz. É um pouco angustiante acompanhar a fuga dessa mulher com sua filha, torcendo para que ela consiga escapar dessa situação e mais uma vez vemos relações de poder em um sistema patriarcal extremamente machista justificado pela tradição. Mas também vemos a força da mulher contra situações como essa. Vejam o trailer:

 

Moana: Eu gosto muito de filmes de animação, mas confesso que não sou grande fã dos filmes da Disney, ou filmes de princesa. Mas é impossível não gostar de Moana. Que filme tão lindo! É muito legal a proposta de apresentar uma protagonista diferente das “clássicas” para as crianças (e adultos, por que não?). Moana não é uma princesa frágil, à espera de um príncipe encantado. Ela tem seus sonhos, planos, é corajosa e guerreira e por isso vai atrás de cumprir sua missão. Tem final feliz, mas graças a ela própria e não a um homem que veio salvá-la. É maravilhoso! Eu assistiria mil vezes esse filme e espero que seja inspiração para muitas meninas. Vocês já viram? Se não, vejam o trailer aí:

 

Enfim, esses foram alguns pouquinhos filmes entre os que vi nos últimos tempos. Se vocês já assistiram algum deles, comentem aí o que acharam, se gostaram, se não gostaram. Se tiverem dicas de leitura também compartilhem comigo, vou gostar muito! Ah! E aceito sugestões de filmes.

Um abraço!

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