Caminhos do vegetarianismo #2 – alimentação, vida social e saúde

Oi, gente!

Na última publicação, comentei um pouco sobre minha transição ao vegetarianismo. Para o texto não ficar muito grande, dividi em duas partes, então hoje venho com a segunda.

Como contei anteriormente, estou no processo de diminuir o consumo de carne há um ano e totalmente sem carne há uns três meses. Sei que muitas pessoas decidem parar de comer carne e do dia para a noite realmente param de vez. Porém, não é todo mundo que tem essa facilidade de adaptação. Para mim, o mais difícil foi adaptar minha rotina diária e meu (pouco) conhecimento em cozinha, então precisei fazer isso aos poucos. Atualmente, cozinhar comidas vegetarianas não tem sido um grande desafio. Ainda estou aprendendo coisas novas, mas já não é tão difícil. Porém, comer fora de casa pode ser, sim, um problema. Como comentei no post anterior, é sobre esse assunto que vou falar hoje e como tem sido minha saúde desde que comecei minha transição alimentar. Espero que compartilhando essas experiências eu possa, de alguma maneira, ajudar ou incentivar quem está nesse caminho também.

Comer fora de casa

Muitos vegetarianos e veganos vão dizer que você não precisa se preocupar muito com isso, porque sempre tem opção. É verdade, sempre tem. Inclusive em restaurantes que não sejam vegetarianos, você quase sempre tem variedades de pratos que podem ser feitos sem carne. Mas é preciso estar ciente: às vezes sua opção vai ser comer arroz, feijão, salada de alface e batata frita, por exemplo. Não que isso seja ruim, mas dependendo o lugar, poderá ser sua única escolha. Dependendo de onde você mora, existirão mais ou menos opções. Obviamente, em cidades grandes é possível encontrar não apenas mais restaurantes vegetarianos, mas também restaurantes que oferecem carne e pratos sem carne e/ou veganos. Por esse motivo não concordo com quem diz que ser vegetariano atrapalha a vida social. Vamos supor que você seja convidado para almoçar fora, com certeza é possível achar um restaurante que contemple seu amigo que come carne e você, que não come. Se vocês vão a um bar para um happy hour, no mínimo uma batata frita vai ter. Acho que o vegetarianismo só pode atrapalhar a vida social se você ou as pessoas ao seu redor não respeitam o modo de viver (e comer) do outro.

Mas e quando você é convidado para ir à casa de alguém que come carne? Por enquanto, eu tenho cinco posicionamentos em relação a isso.

1 – Se é um amigo íntimo, obviamente ele já sabe que eu não como carne. Nesse caso, eu parto do princípio que se essa pessoa me convida para almoçar, haverá uma opção vegetariana. De qualquer forma, acho interessante perguntar (vai que). No caso de que não haja uma opção vegetariana, eu pergunto se posso levar um prato, e esse prato certamente será sem carne. Claro, é uma situação em que você é convidado especificamente para almoçar ou jantar.

2 – Numa situação de festa, por exemplo, meu posicionamento é comparecer, mas ter me alimentado antes, para não correr o risco de chegar e não encontrar nada para comer.

3 – Especificamente sobre o churrasco (que é tipo uma instituição no Brasil e acontece com certa frequência na Colômbia, onde moro atualmente), tenho dois posicionamentos por enquanto. 1 – se é organizado por amigos que me convidaram, eu vou. Não vou perder a oportunidade de estar com meus amigos, sabendo que é difícil encontrar todo mundo no dia a dia. Obviamente, não vou comer carne, então ou já vou alimentada, ou pergunto se posso levar opções de comida. 2 – se é organizado por pessoas que eu não tenho muito contato, por exemplo, o amigo de um amigo, o primo do amigo do irmão, etc., eu prefiro não ir.

4 – Se sou convidada para ir à casa de alguém que não conheço direito, que não sabe que não como carne, eu posso aceitar e na hora de comer, como tudo, menos a carne. Sempre vão surgir perguntas, não tem jeito. Aí você responde como quiser: “sou vegetariano”, “não como carne”, ou se não estiver a fim de debates infinitos sobre o assunto: “carne me faz mal”. Só não acho interessante comer a carne apenas para não fazer desfeita. Essa era uma questão importante para mim, não fazer desfeita para as pessoas, hoje em dia já não é tanto. Para mim, os motivos que me levaram a não comer carne são mais importantes que não fazer desfeita para uma pessoa que mal conheço.

5 – Se é uma situação familiar, acredito que sirva o mesmo posicionamento do ponto 1. Meus familiares já sabem que eu não como carne. Se sou convidada para um almoço, vou perguntar o que tem para comer. Se vejo que não haverá opção para mim, pergunto se posso levar um prato para contribuir com o almoço.

Enfim, acredito que ninguém precise abrir mão dos amigos, família, da sua vida social. Acredito também que compreensão e tolerância fazem toda a diferença. Eu não vou chegar no churrasco dos meus amigos criticando eles por comerem carne. Cada um age de acordo com o que acredita e de acordo com sua própria consciência. Em troca, espero o mesmo respeito em relação às minhas escolhas.

 

E a saúde?

Comer menos carne – ou no caso, nenhuma carne – é mais saudável. É uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e existem estudos que relacionam as doenças cardiovasculares e até câncer com o consumo de carne. Eu não tenho dúvidas disso, mas acredito que sejam resultados para ver a logo prazo. Uma pessoa que passa muitos anos sem consumir carne irá perceber os benefícios disso quando estiver mais velha. Mas e os resultados mais imediatos?

Ser vegetariano não é sinônimo de ser saudável. Você pode parar de comer carne e continuar comendo um monte de comida processada, frituras todos os dias, não consumir legumes e frutas, etc. Se você para de comer carne, mas continua comendo “porcarias”, nunca vai ser saudável. Mas é verdade que parar de comer carne faz você ficar mais atento à sua alimentação.

Para mim nunca foi um problema comer legumes, verduras e frutas. Existem coisas que eu não gosto até hoje e outras que como, apesar de não ir muito com a cara (berinjela, por exemplo). Mas, em geral, nunca fui o tipo de pessoa que odeia legumes e não comia frutas quando era criança. Porém, não posso dizer que tinha uma alimentação muito equilibrada. Desde que comecei minha transição alimentar comecei também a comer melhor. Ainda como muitas comidas consideradas não saudáveis – adoro uma batata frita, sou viciada em doces, pizza e eu temos um relacionamento sério – e, honestamente, não vou parar de comer essas coisas. Mas no meu cotidiano procuro não comer tudo isso com tanta frequência. Definitivamente, tenho uma alimentação mais rica e equilibrada desde que parei de comer carne e, por isso, posso ver algumas mudanças na minha saúde.

Por exemplo, há quase um ano não sei o que é ficar gripada. Antes tinha dores de cabeça todos os dias, hoje isso já não é uma rotina para mim. Desde que parei de comer carne não tenho mais a sensação de estar sempre com o estômago estufado e dificilmente aparece a azia (apenas quando tomo muito café, ou como fritura – coisas que sei que não devo fazer). Desde o princípio da transição, quando apenas diminuí o consumo de carne, senti meu intestino funcionando muito melhor (eu tinha problemas de intestino preguiçoso, quem tem sabe o grande incômodo que é). Enfim, são pequenas grandes coisas, que parecem detalhes, mas fazem diferença na qualidade de vida. Meu esposo também tem se sentido muito melhor. Na verdade, desde que parou de comer carne, não tem tido nenhuma crise de rinite alérgica. Antes ele vivia com crises, praticamente todo mês atacava. Há três meses não comemos nada de carne, há três meses ele não tem nenhuma crise. Sobre isso, não sabemos se tem realmente relação com a carne, ele precisa passar com um médico especialista para saber. Procurando na internet, não encontramos nenhuma relação. Então não é possível afirmar que a rinite dele melhorou por parar de comer carne. Porém, a coincidência do tempo e o fato de ele ter sido exposto, durante esse período, a situações que certamente acarretariam uma crise (mudança climática, contato com a poeira) e não ter acontecido nada é o que nos faz acreditar que tenha algo a ver.

Enfim, não ficamos anêmicos (como muita gente pensa que vai ficar se parar de comer carne), não nos sentimos sem forças ou desanimados, pelo contrário, só vimos melhoras. Mas, como falei, isso é resultado não apenas da ausência da carne, mas de uma alimentação mais equilibrada.

 

Por enquanto, era tudo isso o que eu tinha para dizer sobre minha caminhada rumo ao vegetarianismo. Espero que minha experiência seja de inspiração para quem mais deseje seguir esse caminho. Se você busca por mais informações, recomendo que procure documentários, sites (sérios), livros, etc. Aqui só posso compartilhar como tem sido para mim. Prometo voltar em algum momento com sugestões de filmes e documentários sobre o tema. Até lá, podemos continuar a conversa nos comentários.

 

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