Saúde mental na universidade – mestrado

 

Oi, pessoal! Essa é a terceira e última parte contando minha experiência na vida acadêmica, relacionada à saúde emocional. Para ler a primeira parte clique aqui e para ler a segunda clique aqui. O texto está um pouco longo, já agradeço a paciência de quem ler tudo até o final. =)

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Quando entrei no curso de Ciências Sociais não sabia muito bem com o que queria trabalhar depois. Parece meio ingênuo, eu sei. Sim, pesquisei as possibilidades de atuação no mercado de trabalho e imaginava possíveis caminhos, mas, na verdade, não tinha muita ideia de nada, eu só queria estudar todos aqueles temas que me chamavam atenção. Logo de cara me apaixonei pela Antropologia (e como não se apaixonar?) e, me aprofundando nessa área, me vi diante da possibilidade de fazer uma iniciação científica.

Sempre gostei de estudar. Eu era o tipo de criança e adolescente que, na minha época, chamavam de CDF. Como já falei diversas vezes aqui no blog, desde criança fui muito incentivada a ler. Estudar sempre foi um prazer, apesar de abrir mão totalmente do ambiente escolar. Portanto, quando descobri a chance de me realizar profissionalmente estudando, achei o máximo. A carreira acadêmica apareceu para mim durante a graduação como uma possibilidade incrível: ler, escrever, questionar, pesquisar, que mundo perfeito era esse?

Fiz minha iniciação científica na maior empolgação e, sem falta modéstia, fiz um trabalho muito bom, apesar de todo aquele contexto complicado que contei para vocês no texto anterior. Foi no terceiro ano da graduação, eu tinha questões realmente difíceis para lidar, tanto no âmbito pessoal/familiar, quanto relacionadas à vida universitária. Mas essa pesquisa era talvez o que mais me animava e provavelmente por isso, me foquei tanto nela, ignorando as mensagens de alerta do meu cérebro, empurrando para debaixo do tapete todo o resto que aparecia.

Obviamente, quando terminei a graduação não estava muito bem e me sentia exausta! Tinha decidido continuar na vida acadêmica, mas não estava certa sobre emendar o mestrado na graduação. Eu poderia não entender o que acontecia na minha mente, mas estava consciente do meu cansaço. Recebi muitos comentários do tipo: “tenta logo de uma vez, se você deixar para depois vai terminar não fazendo o mestrado, vai se acomodar”. Me convenci disso mais ou menos. Resolvi não me apresentar em vários programas, só no da Unifesp, que era onde eu já estudava. Honestamente, eu não esperava que fosse passar, mas passei e foi então que começou meu momento mais ansioso na universidade.

Vários fatores contribuíram para isso. Tenho plena consciência de que a universidade não é a grande responsável pela ansiedade ou depressão de seus alunos e gostaria de destacar esse ponto. Estamos inseridos em um contexto caótico de desvalorização da educação e na maioria das vezes não há como garantir os direitos de todos que estão ali – professores, alunos, funcionários. Isso é culpa da instituição em si? Não. Mas talvez seja interessante pensarmos por que o contexto universitário colabora tanto para o desenvolvimento de transtornos emocionais.

Eu consigo imaginar várias respostas, mas vou falar sobre duas. Primeiro, a falta de uma estrutura para a permanência do estudante que, embora tenha a ver com questões maiores, que vão além dos muros da universidade, acaba colaborando para o surgimento de problemas emocionais (falei bastante sobre isso no texto anterior). A universidade pública deveria oferecer, sim, apoio psicológico, alimentação, creche, transporte, moradia, etc. Quando ela não oferece nada disso, o aluno fica à deriva e, somado a possíveis problemas anteriores, pode causar ou acentuar ansiedades e depressões.

A segunda resposta tem mais a ver com a vida universitária. É cobrada uma excelência dos alunos ao mesmo tempo em que se ignora que talvez ele não tenha condições para apresentar um trabalho excelente. Aqui eu não falo só da falta de estrutura e investimento, falo em como é entendida a vida acadêmica hoje em dia. Não importa se seu avô morreu, você entregou seu relatório? Ah, ficou grávida? Poxa, se queria ter filho não começasse um mestrado (também vale para doutorado e graduação). Dores de cabeça? Gastrite? Que isso, toma uns comprimidos e dá uma lida nesse livro aqui para entregar um fichamento na semana que vem.  Nossa, se não participo de nenhum congresso esse ano, o que vai ser de mim? Será que se eu ficar sem dormir nos próximos meses, consigo arrumar tempo para escrever aqueles cinco artigos para mandar para as revistas? Produza, produza, produza, produza. Não seria interessante pensar que um estudante psicologicamente saudável teria um desempenho de fato excelente? Então sim, nesse ponto, a responsabilidade é da universidade. Mas não de uma universidade específica e sim do modelo como se entende que deva ser uma produção acadêmica.

Mas, bem, vamos voltar à minha história, afinal estou aqui para contá-la, não é? Como eu disse, não foi só um fator que fez com que a experiência com o mestrado me levasse a uma crise de ansiedade, eram muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. A começar pelo fato de que já iniciei o mestrado emocionalmente cansada, ainda censurando em mim mesma tudo o que precisava resolver na minha mente, lidando com meus problemas pessoais de forma bem… quer dizer, não lidando com eles de maneira nenhuma.

Além disso, a pesquisa foi um enorme desafio. No mestrado eu mudei um pouco de linha de investigação, queria estudar outros assuntos que necessitavam um trabalho de campo que exigiu muito de mim emocionalmente (e no final nem deu muito certo). Toda pesquisa passa por modificações ao longo do desenvolvimento, outras questões surgem, imprevistos acontecem, normal. Mas a minha sofreu modificações realmente grandes que me atrapalharam muito em administrar o tempo. Todas essas dificuldades com a pesquisa só me deixaram pior. Paralelo a isso, havia as aulas, relatórios, artigos, congressos.

Não vou mentir, o mestrado também teve seu lado bom. Lembram o que eu falei no primeiro texto sobre “mudar de fase”? Me senti em outro nível quando tive meu trabalho aceito em congressos, inclusive, internacionais. A bolsa que recebia me deu certa estabilidade financeira que eu não tinha tido até então. Era pouco, sim, mas morando na casa dos meus pais, sem muitas responsabilidades financeiras, era o suficiente. Apesar dos desafios da pesquisa, era um tema que me empolgava bastante. Mas sinto que o peso que eu carregava era maior que todas essas coisas boas. Eu não estava cuidando de mim, minha mente não estava saudável. Não quero entrar em detalhes sobre os temas pessoais, pois não me sinto à vontade para compartilhar neste momento. Mas simplesmente não sabia como lidar comigo mesma, com as pessoas ao meu redor e com meus problemas.

Obviamente não terminei o mestrado em dois anos (alguém realmente consegue terminar nesse período?), mas a bolsa, sim, terminou pontualmente ao fim do segundo ano. Nesse momento tive conciliar o trabalho acadêmico (que sim, é um trabalho como outro qualquer, embora não seja considerado assim pela sociedade em geral) com o trabalho como professora. Jornada dupla. Foi aí que meus níveis de estresse foram lá nas alturas. Por inúmeros momentos pensei que não fosse conseguir terminar o mestrado. Pensei em desistir diversas vezes. Chorei muito sozinha, de cansaço, de desespero. Não me sentia à vontade para conversar sobre meus problemas pessoais com amigos que estavam encarando suas próprias crises, bem difíceis também. Não queria incomodar minha família com meus problemas do mestrado. Tudo foi se acumulando.

Se vocês me perguntam como eu consegui terminar, eu digo: foi quando eu desisti de terminar. Parece loucura, né? Mas cheguei a um ponto de ansiedade e estresse tão grandes que eu meio que joguei tudo para o alto. Não desisti do mestrado em si, mas desisti de todos os prazos e pressões que eram colocados sobre mim. Decidi: “vou terminar essa dissertação quando eu terminar” e desencanei. Bem, desencanei mais ou menos, óbvio que eu ficava preocupada com isso, mas decidi não enlouquecer. Comecei a me aproximar mais de alguns amigos e isso fez toda a diferença. O trabalho acadêmico é extremamente solitário e isso, por si só, pode ser enlouquecedor. Parei de desmarcar encontros, conheci pessoas novas (foi nessa época que conheci quem viria a se tornar meu esposo), preparava minhas aulas, ia trabalhar e aos poucos fui terminando a dissertação. Recebia cobranças? Sim. “Olho nos prazos, olha essa data, olha esse evento”. Ignorava. O trabalho ficaria pronto quando ficasse pronto.

Lembro que assim que defendi minha dissertação escrevi esse texto aqui no blog, em que já começo falando que terminei o mestrado com prejuízos psicológicos e comento um pouco da importância de ter pessoas ao redor na pós-graduação. Terminei, mas não fiquei contente com o resultado da minha pesquisa, sei que poderia ser muito melhor e isso não é uma crítica superficial para ouvir comentários do tipo: “não, ficou bom, todo mundo tem essa autocrítica, mas no fim ficou muito bom”. Mentira, eu sei que minha dissertação não é das melhores. Eu não estava bem para fazer meu melhor trabalho.

Sei também que, por outro lado, deveria me orgulhar um pouco mais, afinal, terminar um mestrado não é pouca coisa. Chegar onde cheguei até agora é algo grandioso. Estou aprendendo a valorizar minhas conquistas, é um caminho longo, não é muito fácil trabalhar a autoestima, mas um dia eu chego lá.

Apenas para dar uma espécie de fechamento para essa história, que na verdade não tem ainda final, quando terminei o mestrado estava com os nervos à flor da pele. Como contei para vocês no primeiro texto, encaro a graduação e mestrado como etapas de uma experiência única, já que não houve pausa entre as duas coisas. Foram longos seis anos e meio acumulando conhecimento, sim, mas também acumulando dores, cansaços, estresse, problemas não resolvidos. Permaneci na universidade de 2008 ao quase final de 2014, não tinha condições de continuar mais. Decidi não me apresentar para o doutorado, queria distância da vida acadêmica. Paralelo a isso, estava extremamente frustrada com o trabalho como professora, não sabia que caminho seguir profissionalmente, não suportava mais viver em São Paulo e tinha um namorado que precisava voltar para o seu país. Somou-se tudo isso e me mudei para a Colômbia, onde moro atualmente.

Naquele momento entendi que mudar de ares me faria bem, me ajudaria a colocar a cabeça no lugar (sim, o amor falou bem alto nessa mudança também). Foi uma mudança radical, mas tinha um problema: continuei sem me tratar emocionalmente e não adianta jogar as sujeiras da mente para debaixo do tapete. As crises de ansiedade começaram a aparecer com mais frequência. Não sei se posso chamar de depressão, porque não cheguei a ser diagnosticada assim, mas talvez o início de uma começou a me deixar pior. Não sabia o que fazer, a expectativa de iniciar um doutorado me rondava, parecia atrativa, mas ao mesmo tempo me aterrorizava. Cheguei a entrar num processo seletivo de outro mestrado (estava decidida que a forma como eu me sentia era frustação com a pesquisa anterior), passei para a segunda fase, mas vi que era loucura e desisti. Sem rumo total. Somado a isso, os problemas pessoais/familiares, a solidão de estar em outro país. Talvez um dia eu conte melhor todo esse processo emocional, realmente não me sinto preparada para fazer isso agora. A verdade é que o fim do mestrado não foi o fim da minha angústia e ansiedade, que só piorou, porque foi juntando tudo, e culminou com um fato extremamente triste, que foi o falecimento do meu pai no ano passado. Foi aí que decidi procurar ajuda profissional, porque simplesmente não conseguia mais estar dentro da minha própria cabeça.

A universidade é culpada disso? A graduação? O mestrado? Claro que não! Mas certamente muitas situações que passei durante esse processo colaboraram com minha falta de saúde emocional. Terminei o mestrado em 2014 e até o final do ano passado dizia a mim mesma: “quero fazer o doutorado, será que tento esse ano?”. Adiei porque lá no fundo eu sabia que não estava – não estou – preparada para aguentar as pressões que me esperam. Tenho outros planos, que me deixam muito mais em paz e animada no momento (num futuro próximo eu conto aqui no blog) e parei de pensar no doutorado. Amo pesquisa, amo Antropologia, amo a vida acadêmica, mas no momento não posso e não quero lidar com um doutorado. Ainda tem aquela vozinha que diz: “Sarah, não demora muito, você vai se acomodar e acabar não fazendo”. Respondo: “se eu não fizer, não fiz, e daí?”.

Posso dizer que estou bem? Não estou totalmente bem. Tenho dias bons, dias ruins. São muitas questões para lidar ao mesmo tempo: vida profissional, situações familiares, meus lutos recentes, problemas antigos que preciso resolver comigo mesma. Mas comecei a me cuidar, vi o quanto isso é importante e sinto que estou caminhando para estar bem e isso já é ótimo.

Muita gente tem chegado aqui por causa desses textos sobre saúde mental na universidade (graças à Karina Kuschnir, tão generosa e amável comigo e meu blog). Algumas pessoas têm me enviado mensagens contando também como tem sido difícil para elas. Não é fácil mesmo e cada um tem seus próprios problemas para conciliar com a grande dificuldade que é terminar uma graduação, um mestrado, um doutorado. Se existe um conselho que eu dou para todo mundo hoje em dia (principalmente mulheres, porque é muita treta ser mulher, a gente sabe) é: priorize sua saúde mental. Não sei como você vai fazer isso, mas faça. Se for necessário e possível, procure ajuda de um profissional.

Outra coisa que acho que faz toda a diferença é: se cerque de pessoas. Não qualquer pessoa, por favor, usem seus filtros. Pessoas com quem você possa contar de verdade, nem que seja para te fazer dar uma risada de vez em quando. Pessoas que mesmo sem entender muito bem o seu trabalho, te apoiam e estão do seu lado ajudando como podem. O trabalho acadêmico é solitário e em momentos difíceis a solidão não é a melhor companheira.

Por fim, você não precisa dar conta de tudo ao mesmo tempo. É essencial saber reconhecer o que você pode adiar e o que é urgente. A prioridade é estar saudável, algumas coisas são urgentes, outras você pode adiar, desistir (não tem nada de errado nisso) ou pensar em outras formas de resolver em outros momentos.

Muito, muito obrigada a todo mundo que leu esses três longos textos. Espero de verdade ter ajudado alguém, de alguma forma, foi por essa razão que decidi compartilhar minha experiência. Para mim foi importante em todo esse processo ler histórias de outras pessoas e ver que eu não estava sozinha. Espero que minha história tenha diminuído um pouco a solidão de vocês.

Nas próximas publicações voltarei à “programação normal” do blog, embora não exista realmente uma programação, mas, enfim, falarei de outros assuntos. Espero que continuem por aqui.

Um abraço.

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8 comentários sobre “Saúde mental na universidade – mestrado

  1. Nossa, como foi bom ler seus textos agora, na reta final do meu mestrado que parece que não vai acabar nunca. Tenho me sentido péssima por achar que fiz pouco dentro do mestrado, e acho que não apresentarei um bom trabalho final; meio envergonhada tb, confesso. Enfim, mas consigo ver saldo positivo, ele me amadureceu de um jeito, ao mesmo tempo que ele me deu mais segurança de escrever sobre as coisas que penso e sinto, algo que postergava há tempos.
    #Obrigada ❤

    • Oi, Natalia! Que bom receber seu comentário! Obrigada pela visita!
      É isso, acho que mesmo das experiências difíceis a gente consegue tirar alguns aprendizados. Não que precise ser difícil para nós aprendermos alguma coisa, mas tentar encontrar algo bom em uma situação complicada é importante, às vezes a gente se surpreende. Muita força para você nesse finalzinho do mestrado! Entendo o sentimento de achar que não fez um bom trabalho, mas vamos juntas valorizar nossas conquistas! Um abraço! ❤

  2. Oi! Durante esses dias aguardei seus textos, seu blog e o da Karina se tornaram aquele lugar de pausa, repouso e busca de inspiração. Me lembro que na época da graduação também senti tantas coisas, pressões e que naquele momento não conseguia dar nome e ao mesmo tempo no curso Arquitetura e Urbanismo havia ( acho que não mudou) um grande culto ao virar noites, trabalhar incansavelmente num projeto, sendo também extremamente elitista e no qual certos saberes são naturalizados desde o início. De forma que ver esse assunto de saúde mental sendo falado e dando nomes concretos aos nossos sentimentos tem sido muito importante.
    Agora já no mestrado, depois de um longo período de pausa, retomo a esse desafio de escrever e me ver como pesquisadora e confesso como tem sido difícil. Mas sinto que somente usando nossa voz poderemos provocar mudanças, então relatos como o seu são de fato preciosos.
    Obrigada pelos textos…

    • Oi, Raquel! Obrigada pela sua visita e seu comentário. Acho que é isso mesmo que você falou, a gente nem consegue nomear os sentimentos, porque fica difícil até mesmo identificar o que sentimos nesse contexto que exige que sejamos quase máquinas. Por muito tempo a saúde emocional tem sido ignorada no espaço das universidades, felizmente tem aparecido várias pessoas para falar sobre esse assunto que atinge quase todo mundo. Eu pelo menos não conheço ninguém que tenha passado por essa fase em paz. É triste pensar isso, mas quem sabe com toda essa troca de histórias e as críticas que precisam ser feitas, essa história começa a mudar, né? Muita força para você nesse mestrado, não é fácil, mas é possível ser um pouco mais leve. Cuide de você em primeiro lugar. =) Um abraço!

  3. Nossa, amei de novo! Você conseguiu escrever tantas coisas tão legais e de um jeito ao mesmo tempo profundo e leve. Muitos parabéns querida. Seu talento transparece em cada palavra do seu blog, nas pequenas delicadezas que você espalha com a sua voz. Que sua vida siga leve e tranquila, com bons e merecidos descansos nos intervalos de trabalho, com todos os seus amores á sua volta. ♥ Linda série de posts!

  4. adorei saber o desfecho! eu namoro um rapaz incrível que acabou de defender a dissertação, ele tá meio aéreo ainda… a ficha tá caindo, sabe? acho uma doideira isso tudo. vou partilhar esse texto com ele. beijo, sarah!

    • Oi, Pâmela! Que bom que gostou, espero que seja um consolo pro seu namorado saber que esse sentimento é comum a praticamente todos que terminam um mestrado (até hoje não conheci ninguém que não ficasse assim). Agora é um momento de respirar fundo e descansar a mente um pouquinho. Obrigada pela companhia aqui no blog. Beijo.

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