Um sinal de vida

Tudo está como da última vez que escrevi aqui. Trabalho, faculdade, sem tempo na vida. Nada de novo e, ao mesmo tempo, tudo é novidade. Então decidi fazer uma das minhas falações aleatórias.

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Estou afastada não só do blog, mas da internet, em geral. Quando digo que não tenho tempo, não é só modo de dizer. São oito horas no trabalho, três na faculdade, quatro horas, em média, nos deslocamentos. Façam as contas, o pouco que me sobra é para comer e dormir. No trabalho, fico concentrada nas tarefas. Na faculdade, a concentração é nas aulas. Quando chego em casa, não dá tempo nem vontade de pegar o celular e rolar o feed das redes sociais. Demoro para responder mensagens. Não vejo mais vídeos no YouTube.

Não acho isso ruim, na verdade. Ficar longe das redes faz a gente se dar conta de que elas não são essenciais. Também é interessante sair da bolha onde todos falam a mesma coisa em troca de curtidas e comentários. Mas não posso negar, me sinto um pouco desatualizada.

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Um “ponto positivo” de não ter tempo na vida é otimizar cada segundo. Por exemplo, eu era o tipo de pessoa que não conseguia ler no ônibus, pois ficava tonta com o movimento. Ainda fico um pouco, mas estou me forçando a conseguir ler assim e estou tendo certo sucesso nessa empreitada. Com tanta coisa dos cursos para ler, não dá para perder uma hora de trajeto no ônibus olhando o trânsito lá fora.

Também não procrastino mais (talvez só um pouquinho no fim de semana), porque sei que não vou ter outro momento para terminar um trabalho, estudar para uma prova, resolver alguma questão pessoal. Sou obrigada a me organizar e agir com meus movimentos friamente calculados, como diria o Chapolim.

Mas óbvio que detesto não viver com calma. Esse ritmo não é saudável, não é bom de nenhuma maneira. Porém, sei que é temporário e me apego a isso para consolar a mim mesma pelo cansaço, a falta de tempo para dormir e tudo mais. Além disso, é necessário. As contas não se pagam sozinhas, o conhecimento não vai cair do céu dentro do meu cérebro. São escolhas, são caminhos, são passos importantes para o futuro.

Seria ótimo que não precisasse ser assim. Que, por exemplo, tivéssemos em São Paulo, uma mobilidade muito melhor e eu não precisasse gastar uma hora e meia em um trajeto que, em “boas condições”, gastaria 50 minutos. No mundo próximo ao ideal o trabalhador também não teria que sair dos extremos da cidade para chegar nos centros de trabalho, mas, infelizmente, a realidade ainda é cruel.

Vamos sobrevivendo como dá e fazendo nossas pequenas lutas diárias para que um dia a situação mude, embora o contexto não seja dos mais esperançosos.

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Tenho acompanhado todas as notícias do nosso país com muita tristeza e revolta. Mais tristeza, para ser sincera, porque acredito que a revolta tem um pouco a ver com esperar uma coisa e acontecer outra totalmente diferente. Nesse caso, tudo já é esperado. Mas é inevitável ficar triste diante de tantos retrocessos e pensar que os efeitos disso vão durar vários anos.

É difícil para alguém da minha geração, por exemplo, que cresceu em um contexto de profundas mudanças sociais ver o pouco que foi conquistado se perder. É extremamente grave o contexto que vivemos e me preocupa especialmente a questão da educação. Para além dos investimentos, percebe-se há um enorme desprezo pela educação e pelo conhecimento. Eu realmente não consigo enxergar nada mais grave do que isso.

Esses dias pensava um pouco sobre esse assunto. Foi incrível ver as manifestações que tivemos em todo país em defesa da educação e contra os retrocessos. Atos como esse são de extrema importância, não há dúvidas. Mas me pergunto se esse debate está chegando, de fato, na maioria das pessoas. Saio de um bairro da periferia de São Paulo todos os dias para ir trabalhar, depois para a faculdade, depois para a casa. Em meus trajetos o que vejo são pessoas extremamente cansadas que, após oito, dez horas, de trabalho, vão amassadas em um transporte público horrível e só querem chegar em casa, dormir, descansar. Isso se não têm o segundo turno de cuidar de filhos e da casa.

Ouço as conversas nos trens e nos ônibus e ninguém está realmente se importando muito com nada, porque antes de pensar em mudar o país, estão se perguntando se serão demitidas se chegarem atrasadas no trabalho porque o trânsito está parado. Até quem, de alguma maneira, apoia esse governo, se mostra desintereressado e desesperançoso.

Manifestações são importantes, mas só elas bastam? Acredito que não e me desespero um pouco ao ver tamanho distanciamento da maioria das pessoas. Que fique claro, não defendo uma aproximação com a postura de “levar às grandes massas a luz e a consciência de classe”, não é disso que estou falando. Mas de uma aproximação real, de debate, de construção.

O que vocês pensam sobre isso?

A faculdade. Estou amando o curso de Letras! Isso era previsível, não foi à toa que decidi fazer outra graduação, eu já esperava que fosse amar. Alguns temas gosto menos que outros, é verdade. Mas, até agora, o que posso dizer é que continuo empolgada com tudo o que tenho estudado e com o que vem pela frente. Sei que já prometi isso umas três vezes, mas em outro momento vou falar especificamente sobre essa experiência. Não farei isso agora para não deixar essa publicação gigantesca. Talvez o fim do semestre seja a melhor ocasião, porque já terei passado pelo primeiro ciclo dessa grande mudança.

Bem, quero terminar essa publicação gigante dizendo que o ritmo aqui no blog continuará meio lento, pelo menos até que eu entre de férias da faculdade. Mas continuo por aqui. A próxima publicação vai ser sobre o desafio literário (ainda de 2018). Espero vocês!

Até mais ler!

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Um comentário sobre “Um sinal de vida

  1. Não basta apenas manifestações e ataque nas redes contra o governo. É preciso conscientização da situação como um todo, muita gente está usando essas manifestações como jogo político e isso é péssimo porque a educação é algo que transcende lado A ou B, ela é um direito de todos e para todos.
    Ler no busão é para poucos. Moro a 40 km da faculdade e a viagem é cerca de 1h30min e não da para ficar olhando carros enquanto há muitos livros para ler.
    Seria tão bom ser produtivo né, ter uma renda decente, e ainda ter tempo livre para não fazer nada, ahhhhhh

    Curtido por 1 pessoa

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